Publicidade de álcool não impacta quanto as pessoas bebem

Qualquer semelhança com as tentativas de proibição da publicidade infantil no Brasil não é mera coincidência

Parece que proibir a publicidade pode não ser tão sábio em caso algum e em nenhum país do mundo. A legislação recente de cidades como Los Angeles, Filadélfia e San Francisco proibiu os anúncios de álcool em alguns casos. No entanto, uma nova pesquisa realizada pela Universidade do Texas em Austin diz que anúncios de bebidas têm pouco efeito sobre o consumo geral de álcool.

O professor de propaganda da universidade, Gary Wilcox examinou a relação entre propaganda de bebidas alcoólicas e o consumo de cerveja, vinhos e bebidas alcoólicas em geral em um novo estudo publicado no International Journal of Advertising. Wilcox e os candidatos a Ph.D. Eun Yeon Kang e Lindsay Chilek constataram que houve, na melhor das hipóteses, uma relação fraca entre os dois. A publicidade foi mais focada em marcas particulares que lutam por participação de mercado, o estudo observa.

“Uma vez que o mercado não está a aumentar, as diferentes marcas ou categorias de álcool estão tentando fatiar o mercado e obter uma fatia maior”, diz Wilcox.

Os pesquisadores analisaram as vendas per capita de bebidas nos EUA entre 1971 e 2011 e descobriram que, no período de 40 anos, o consumo per capita se manteve relativamente constante. As mudanças foram em como as pessoa consumiam diferentes tipos de bebidas.

“A cerveja tem tido um declínio nos últimos 10 anos e as razões para isso eu não sei”, diz Wilcox. “Você não pode descobrir tudo, mas nós olhamos se a publicidade teve um papel e isso não aconteceu. Os destilados estão em alta e o vinho tem altos e baixos. Seguimos as preferências das pessoas e o que elas escolhem para beber – os gostos em mudança da sociedade “.

No mesmo período de 40 anos, os gastos com publicidade aumentaram 400%. Wilcox disse que o estudo pode ajudar a mostrar que a proibição da publicidade não coibirá o consumo. Até agora, Los Angeles e Filadélfia proibem a publicidade de álcool em propriedads  municipais e San Francisco proíbe anúncios no transporte público.

“Por que você proibiria?”, Diz ele. “Se você está tentando reduzir o consumo, a proibição não pode ser o caminho mais eficaz. A liberdade de expressão é uma parte importante dessa coisa, também. Se você proibe uma mensagem verdadeira sobre um produto legal, eu geralmente digo que não é uma boa idéia também; parece mais intuitivo aumentar a comunicação para que possamos fazer escolhas autônomas.”

Qualquer semelhança com as tentativas de proibição da publicidade infantil no Brasil não é mera coincidência. Afinal, proibir a informação é tirar do consumidor e do cidadão o direito número um da democracia, a escolha.

* Com informações do Austin Culture Map

 

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