Recall: essencial para aprimorar a sociedade de consumo

Brasileiros ainda não aprenderam a usar o chamamento como uma ferramenta legítima. Mas deveriam

No Brasil, 50% dos consumidores não atendem aos recalls de produtos, segundo Andréa Arantes, assessora-executiva do Procon de São Paulo. “Esse é um montante alarmante. Um bom número seria 80% de comparecimento”, afirma.

O nome recall é dado ao chamamento voluntário ou imposto de troca de produtos que apresentam vício e podem ser prejudiciais ao consumidor.

Na maior parte das vezes o consumidor ignora o recall de produtos com valor relativamente baixo. Mas atender ao recall é mais que simplesmente realizar uma troca ou garantir que seu produto danificado seja reposto.

O chamamento acontece quando o fornecedor informa o público sobre os defeitos detectados nos produtos ou serviços que já estão no mercado. Os objetivos essenciais do recall são o de proteger e preservar a vida, saúde, integridade e segurança do consumidor, bem como de evitar ou minimizar quaisquer espécies de prejuízos, sejam eles materiais ou morais.

Apesar de os recalls estarem cada vez mais frequentes, o Brasil realiza uma quantidade ínfima de recalls, quando comparado por exemplo com os EUA, Canada e Comunidade Européia, segundo o blog Food Safety Brazil.

Foram 120 em 2014 contra 109 no ano anterior, de acordo com números divulgados pelo Ministério da Justiça. Em 2012, foram registradas 67 campanhas de “recall”. Em 2014, ficamos em terceiro lugar em recalls de carros no mundo.

Ainda assim, engatinhamos.

Leia mais: Afinal, o que é um recall e qual a sua importância?

Mas, afinal, por que é tão importante atender quando as empresas nos convocam para a troca dos produtos que apresentam problemas?

André de Souza Dutra, doutor em ciência e tecnologia alimentar e coordenador do MBA em Gestão da Qualidade e Segurança dos Alimentos da Universidade Veiga de Almeida, em especial de 2013 do jornal O Globo, chamado Segurança à Mesa, não há um número maior de recalls porque não há um sistema de vigilância sanitária que consiga verificar tudo. Há, inclusive, municípios onde o sistema não existe.

A diferença dos números, segundo ele, se justifica pela estrutura de controle e vigilância de alimentos, que é muito melhor nos EUA. ” Lá, eles têm laboratórios de altíssima qualidade, que dão suporte não só ao país, mas também ao exterior. Os laboratórios são muito bem equipados e contam com recursos humanos altamente qualificados. No Brasil, cada estado tem um laboratório de referência para dar suporte às vigilâncias do estado e de seus municípios.

Leia mais: O recall e o consumidor: o que, de fato, significa?

Na China, o recente recall da Heinz levantou uma questão que ainda não é discutida no Brasil, o rastreamento de ingredientes, como acompanhar o trajeto de ingredientes de fontes diversas em um país onde tecnologias de rastreamento de fornecimento de alimentos estão longe de ser comuns. Sistemas de rastreamento por códigos de barras, comuns nos Estados Unidos e na Europa, são em grande parte ausentes.

Para Maria Inês Dolci, Coordenadora de Relações Institucionais da PROTESTE, é necessário levar em consideração diversos fatores: aumento da produção, descuido da indústria e vigilância sanitária. ?A responsabilidade é de todos os envolvidos?, afirma. ?Em termos gerais a indústria compromete a qualidade e as boas práticas e age de má fé sabendo que a fiscalização é desestruturada, o que faz que industria continue praticando ilegalidades?, diz.

Ela aponta um outro aspecto: as legislações cruzadas e o ponto em que ministérios e agências reguladoras convergem, afinal, qual é o papel de cada um?

Leia mais: Recalls de alimentos: comer tornou-se um perigo?

Segundo o Procon, o chamamento (recall), ou aviso de risco, tem por objetivo básico proteger e preservar a vida, saúde, integridade e segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais.

Eles afirmam que a prevenção e a reparação dos danos estão intimamente ligadas, na medida em que o recall objetiva sanar um defeito, que coloca em risco a saúde e a segurança do consumidor, sendo que qualquer dano em virtude desse defeito será de responsabilidade do fornecedor.

Portanto, para garantir a sua própria segurança e a de terceiros, é muito importante que o consumidor atenda ao chamado do fornecedor o mais rápido possível, para evitar a concretização de possíveis acidentes de consumo, embora não haja data limite para a realização dos reparos ou substituição dos produtos defeituosos.

 

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