Empregos: o que (des)motiva o trabalhador brasileiro?

Desapego à profissão e gestores mal preparados para a liderança estão entre os fatores relevantes

Uma recente pesquisa da consultoria Deloitte, por exemplo, chamada ?Tendências Globais do Capital Humano 2014? realizada com 2,5 mil líderes de recursos humanos de 94 países, sendo 40 brasileiros, mostrou que no mundo apenas 13% dos funcionários estão ativamente engajados.
Na hora da escolha da carreira, muitos profissionais acabam deixando a paixão de lado e optam por uma área mais lucrativa, com a expectativa de gerar riqueza e ter uma vida confortável. Entretanto, é cada vez mais comum ver pessoas insatisfeitas com suas ocupações e em busca de suas origens, de suas reais vocações.

O coach de carreira Maurício Sampaio acompanha de perto esse dilema. Segundo ele, em média 70% dos clientes que atende já estão em processo de mudança de carreira ou, pelo menos, pensando no assunto.

?Hoje, diferentemente das gerações de nossos pais e avós, quem se forma em Direito não tem ?obrigação? de atuar na área até o final da vida. Os profissionais de hoje são mais independentes, têm mais autonomia e, claro, muito mais opções de carreira que antigamente?, afirma o especialista.

Para as empresas, esse dilema causa prejuízos. Mesmo com todos os investimentos em treinamento e desenvolvimento pessoal, o turnover continua a crescer.

?Os profissionais de hoje, em especial os da Geração Y, mudam de emprego, de carreira, mesmo sabendo que terão que recomeçar, ganhando um salário menor. Eles buscam a felicidade e a realização pessoal.?

Para Sampaio, a cultura organizacional nas empresas também colabora para a frustação dos colaboradores. ?As corporações e seus gestores devem urgentemente dar um simples e pequeno passo: dispor de tempo para escutar os anseios profissionais de seus colaboradores. A questão do futuro profissional deve ser entendida como uma via de mão dupla, ambos devem se ajudar nesse processo.?

Uma pesquisa da Michael Page detectou que 38% dos profissionais pretendem se arriscar a mudar de emprego ao longo de 2015. Deste universo, 21% almejam um salto ainda maior: mudar de setor.

 

Gestores mal preparados

A pesquisa da Deloitte aponta ainda que 86% dos líderes de RH e negócios no mundo acreditam que não há um sistema adequado de liderança nas empresas e 79% deles dizem que existe um grande problema de engajamento e retenção.

No Brasil os dados são ainda mais alarmantes – 98% dos gestores disseram que é necessário desenvolver a liderança e 95% estão insatisfeitos com os programas da empresa na área de retenção e engajamento.

O coach Riccardo Oliveira diz que a raiz do problema se inicia na falha de comunicação. ?Na raiz deste problema estão a falha de comunicação na hora de selecionar as pessoas, o foco distorcido do profissional e a liderança pouco desenvolvida nas empresas?.

Outro problema inserido na retenção de talentos das empresas é a falta de desenvolvimento em habilidades do gestor, comenta o especialista.

?O principal problema dos líderes para reter talentos é o baixo grau de desenvolvimento de certas habilidades fundamentais na liderança como relacionamento interpessoal, comunicação, planejamento e gestão de pessoas. A maioria dos lideres são colocados em cargos de gestão por serem bons técnicos, especialistas em sua área, mas sem preparo para liderar. Uma das formas de desenvolver estas habilidades é participar de um processo de Coaching executivo com foco em liderança. Neste processo, o líder vai se autoconhecer, perceber seus pontos fortes e as melhorias que precisa trabalhar?.

 

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