Eu, virtual: comportamento e estereótipo nas redes sociais

Em tempos de redes sociais passamos a conviver com um dilema. Tudo o que acontece nas redes representa o que somos de fato na vida real ou existem características particulares que criamos em um mundo paralelo, chamado de ciberespaço, tendo vida própria?

Não há como negar que as redes sociais têm tomado um espaço considerável na vida das pessoas, cada vez mais vivendo em um mundo digitalizado, parte deste mundo paralelo começa a parecer que o que acontece no ciberespaço influi de fato na realidade. Talvez muito mais do que possamos imaginar.

No mundo das redes sociais todos parecem muito satisfeitos, sempre com uma vida social intensa, acompanhado de amigos que no momento da selfie são os mais amados, mas que amanhã poderão ser facilmente esquecidos utilizando as ferramentas de bloqueio que a rede permite. O bloqueio nada mais é do que uma espécie de homicídio virtual seletivo, apagando da vida de uma pessoa em particular a existência de alguém que seria indesejável ao usuário bloqueador compulsivo. O ato de bloquear alguém, muitas vezes, nem seria necessário se não fôssemos seres ressentidos. Seria necessário apagar uma pessoa de sua existência virtual por um beijo negado? Por uma pequena dívida não paga em algum encontro entre colegas de trabalho na hora do rateio da conta? Por uma divergência de opinião? Por uma crítica ou por apontar algum equívoco que alguém possa ter cometido? Por alguma opinião política?

O tempo passa, ficamos mais velhos, mas com consciência de adolescentes. Não aceitamos divergência de opinião, que outra pessoa tem o direito de pensar de maneira diferente do que pensamos, mas preferimos agir como policiais da consciência alheia.

Outro comportamento muito acentuado nas redes sociais é a estereotipia, um dos sentimentos mais desagradáveis que o ser humano possa expressar. Basta passar o olho na timeline de alguém para inferir que o sujeito é de direita, de esquerda, fascista (o termo da moda no momento), racista, homofóbico, heterofóbico e tantas outras expressões, começando na letra A do dicionário até a letra Z.

Parece que por trás de um perfil de uma rede social nos esquecemos de que existe alguém, de carne e osso, que tem sentimentos, que ri, que chora, que canta, que trabalha o dia todo e estuda, na esperança de alcançar algo melhor na vida por meio de seus próprios méritos, fruto do seu trabalho e da sua dedicação. Mas os policiais da consciência alheia querem mesmo desvirtuar as características inerentes à sociedade, como o juízo de valor, por exemplo, para colocar cada pessoa dentro de sacos categorizados com os devidos rótulos que queiram atribuir à alguém.

Coletivistas adoram estereótipos, assim fica muito mais fácil para ajudar aos que interessam e tripudiar àqueles que não interessam dentro de algum conjunto de idéias abstratas, não de valores. Muitas vezes as redes sociais são um campo fértil para este tipo de embate.

Quem somos nós de fato? Somos seres humanos, ou simplesmente um perfil de uma rede social, que expressa algo e automaticamente recebe algum tipo de rótulo de uma pessoa ou um grupo de pessoas? A vida é muito mais que isso e se hoje a tecnologia existe da maneira como conhecemos e que se desenvolverá muito mais, isso se deve ao trabalho de uma série de indivíduos, profissionais da tecnologia, que viabilizam todas estas ferramentas ao usuário.

Portanto estas ferramentas devem ser utilizadas de maneira civilizada, sem estereotipia, permitindo um ambiente de livre manifestação do pensamento, gerando debates sobre uma série de temas e que nos desenvolve como seres humanos.

*Gabriel Perazzo é Consultor em Redes pela empresa CYLK.




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