Proibição X sucesso: por que o Uber incomoda tanta gente

Um elefante incomoda muita gente, mas o Uber incomoda muito mais. Embora proibido no Brasil e em Portugal, app torna-se mais popular com a oposição e busca novos modelos de negócio

A 12ª Vara Cível de São Paulo decidiu suspender as atividades da empresa em todo Brasil, na noite desta terça-feira (28). De acordo com a decisão judicial, fica determinada a interrupção das atividades no país sob multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento. Apesar da notícia, a empresa ainda não recebeu a notificação e os serviços funcionam normalmente até o momento.

A mesma proibição ocorreu ontem também em Portugal. A decisão do Tribunal de Lisboa foi publicada em comunicado da ANTRAL (Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros), que determinou o encerramento das atividades do aplicativo e o fechamento do site e proibição de uso de cartão de crédito em nome da startup. A multa diária fixada para o não cumprimento no país é de 10 mil euros.

Por outro lado, o Uber esboça uma mudança de planos que continuará incomodando ? mas com o traçado de uma rota diferente. O site da revista Time afirma que a empresa pode estar investindo em um programa massivo de entregas no mesmo dia, em possíveis parcerias com grandes varejistas. Entre elas Louis Vuitton, Tiffany?s e Hugo Boss.

Segundo Beto Aquino Agra, coordenador do Laboratório de Inovação Digital da ANTT, a cobrança pelo serviço, como feita pelo Uber, caracteriza a modalidade de transporte público: se realizado sem a devida autorização do poder público, é ilegal. Uber e similares, como o Zaznu, que sugerem uma taxa de pagamento em troca do transporte, portanto, não obedecem à resolução.

Mas por que o Uber incomoda tanta gente?

Após o protesto de taxistas paulistanos, em março deste ano, o aplicativo teve cinco vezes mais downloads do que a média usual.

Mas talvez o que mais incomoda é o fato de modelos como o Uber serem inevitáveis e que adiar é apenas paliativo ? vai acontecer e os negócios informais, que já são legitimados pelo consumidor, serão competidores fortes no mercado.

?As inovações tecnológicas trouxeram inúmeras oportunidades para as pessoas e as cidades. É por meio da tecnologia que as cidades vão se tornar cada vez melhores e mais acessíveis para o cidadão, que precisa ter seu direito fundamental de escolha assegurado. A Uber é uma empresa de tecnologia que conecta motoristas parceiros particulares a usuários. Reforçamos publicamente nosso compromisso em oferecer aos paulistas uma alternativa segura e confiável de mobilidade urbana. A Uber não foi notificada sobre esta decisão?, é a nota oficial da assessoria de imprensa do Uber.

Em uma cultura de mocinhos e vilões, a visão maniqueísta do mercado sempre leva a demonizar algo que não é preferencial. Embora os protestos contra o Uber não pareçam estar prestes a acabar, a verdade é que nas grandes cidades, em que a demanda por transporte é muito maior do que a frota pode suprir, taxis, transportes coletivos e apps como o Uber não competem, porque podem coexistir. Uma prova disso: tente pegar um táxi em uma região movimentada de qualquer grande cidade do Brasil em horários de pico. É impossível.

Em vez de jogar contra, talvez seja o momento de as empresas de transporte repensarem seu papel e a qualidade dos serviços. Essa é a competição mais justa, já que o objetivo é brigar.






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