As fusões e as empresas familiares

Estratégia de ?roll-up? é caminho para aumento de competitividade de pequenos e médios

Por Benjamin Yung*

As notícias acerca do mercado de fusões e aquisições têm sido cada vez mais frequentes na imprensa, tanto nacional quanto internacional. Recentemente, por exemplo, foi anunciada a junção da Kraft com a Heinz, duas gigantes do segmento alimentício. Companhias dos mais variados setores produtivos têm recorrido às fusões como alternativa para reduzir custos operacionais e tentar desbancar a concorrência.

De acordo com levantamento das consultorias Transactional Track Record e Merrill DataSite, o volume de fusões e aquisições no Brasil alcançou US$ 20,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, aumento de 20,4% em relação ao mesmo período de 2014, quando 180 negócios foram realizados. Nos primeiros três meses de 2015, foram 213 operações. Esse cenário traz uma preocupação para empresas familiares, que hoje representam grande parte do empreendedorismo nacional: o que fazer para enfrentar a concorrência diante dessa tendência de fusões e aquisições?

Uma estratégia interessante a ser considerada é o ?roll-up?. Trata-se de um processo de consolidação de várias pequenas empresas pertencentes ao mesmo setor para, juntas, se tornarem uma única grande companhia.

Tal estratégia é amplamente recomendada para setores bastante fragmentados e compostos por diversas empresas familiares, sendo que, normalmente, o esforço é liderado por uma empresa do setor, que agirá como adquirente. Outras empresas são conectadas a essa para, assim, gerar economias de escala em compras, logística, produção, despesas gerais e administrativas.

Em última instância, espera-se que a nova grande companhia seja mais rentável e eficiente que a soma de suas partes e, dessa forma, possa crescer de forma mais eficaz e equilibrada, com condições melhores de enfrentar a concorrência de grandes companhias, fruto dessa tendência de fusões e aquisições.

Outros dois importantes benefícios obtidos com a implementação do ?roll-up? no Brasil são o crédito e a saída da empresa. O primeiro está relacionado à obtenção de crédito, pois diversas instituições financeiras têm reestruturado a forma de atendimento às contas corporativas de médio porte, elevando os níveis mínimos de faturamento para R$ 200 milhões ou, por vezes, R$ 300 milhões. Tal valor exclui grande parte das empresas brasileiras dos mercados de crédito. Essas, por sua vez, são forçadas a procurar linhas de crédito alternativas, sujeitas às taxas de juro e percentuais de garantia demasiadamente elevados.

Com uma estratégia de ?roll-up? bem sucedida, empresas que separadamente não atingiriam o perfil das instituições financeiras conseguem, unidas, melhores linhas de crédito, evitando taxas e outras exigências desnecessárias.

O segundo benefício se dá pelo fato de o ?roll-up? poder ser considerado uma estratégia de saída para empresas familiares que não possuem um plano de sucessão definido, o que comumente ocorre no Brasil. Na ausência clara de sucessor, ao incorporar uma empresa a outra, também se unifica a condução da mesma, possibilitando que, mesmo sem a presença do fundador ou proprietário, os negócios sigam adiante, consolidados e prontos para enfrentar a concorrência, independentemente do porte que ela tenha.

Se o movimento crescente de fusões visa colocar em prática o ditado de que ?unidos venceremos?, o ?roll-up? também deve ser visto pelas empresas familiares como estratégia semelhante para se alcançar o sucesso no mundo dos negócios.

* Benjamin Yung é especialista no segmento de reestruturação financeira e fundador da consultoria Estratégias Empresariais

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