Intervenção militar no combate à falta de água em SP

Evento realizado pelo Comando Militar discutiu o problema de abastecimento de água para consumo no Estado de São Paulo; caos social é possível ante a falta de água na cidade

O Comando Militar do Sudeste, que abrange todos os Comandos e Forças com sede em São Paulo, organizou no final do mês de março (28), uma palestra para discutir o problema de abastecimento de água para consumo no Estado de São Paul. Ocorreu dentro de seu quartel-general no Ibirapuera, zona sul da capital paulista. Foi a primeira vez que a crise hídrica passou a fazer parta da agenda acadêmica dos militares.

O evento contou com a participação de professores e alunos universitários e simpatizantes de organizações militares. Entre os convidados estavam o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, o professor de recursos hídricos da Unicamp, Antonio Carlos Zuffo, e a responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp) Anicia Pio.

Com os principais reservatórios em queda desde início de março, os convidados foram convidados a traçar os cenários de uma suposta São Paulo sem água.
Massato, salientou para a possibilidade da água acabar em julho. O diretor afirmou, no entanto, que a conclusão das obras planejadas pela Sabesp pode garantir o abastecimento até o próximo período de chuvas – outubro. Entretanto, a obra que vai ligar a Represa Billings ao Sistema Alto Tietê, uma das principais apostas do Governo de Geraldo Alckmin para evitar o desabastecimento, vai se atrasar pelo menos três meses e só será concluída em setembro, conforme reconheceu ? dias depois tê-lo negado ? o próprio governador em nota à imprensa.

 

Caos social, logístico e industrial

Questionado durante o evento sobre o que aconteceria se as chuvas continuassem abaixo da média e as obras previstas não ficassem prontas, o diretor da Sabesp respondeu: ?Vai ser o terror. Não vai ter alimentação (produção hortifruti), não vai ter energia elétrica… Será um cenário de fim de mundo. São milhares de pessoas e o caos social pode se deflagrar. Não será só um problema de desabastecimento de água. Vai ser bem mais sério do que isso…?. A fala, ?em tom de brincadeira para evitar imprimir um tom apocalíptico?, foi registrada pelo site operamundi e confirmada, embora contextualizada, por quatro dos presentes no painel. Massato, porém, enfatizou que, tanto a Sabesp como o Governo estão fazendo de tudo para que isso não aconteça. “Água para beber não irá faltar, isso a gente consegue garantir, mas a gente não usa a água só para beber”, disse Massato antes de afirmar que a água vai ficar cada vez mais cara.

Massato discursou também sobre como seria difícil a questão logística num cenário sem água, sobretudo nos lugares onde não pode faltar o fornecimento como os hospitais. Só o Hospital das Clínicas precisaria de 1.200 caminhões-pipa por dia, uma quantidade de veículos que São Paulo não tem, nem vai ter, como já alertou o setor à imprensa. ?Os poucos que existem já estão contratados?, disse Massato.

Já Anicia Pio, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp) abordou a situação das indústrias. Segundo a também ex-coordenadora de Recursos Hídricos no Governo do Estado em 1999, a escassez em regiões altamente afetadas pela atual crise do Sistema Cantareira (Região Metropolitana e Região Metropolitana de Campinas) está afetando cerca de 56.000 indústrias. Elas empregam diretamente 1,9 milhão de pessoas e equivalem a 50% do PIB industrial do Estado. Pio advertiu de que com a crise hídrica, a indústria paulista não pode ficar sem água e que o setor não está preparado para um rodízio de um dia com água e cinco sem, uma alternativa discutida na Sabesp e não descartada ainda neste ano.

Pio afirmou que a crise hídrica está tendo reflexos na produção que preocupam o setor. “A falta de água, como já foi registrado no ano passado, poderia paralisar algumas produções, aumentar custos, adiar investimentos e impactar toda a cadeia produtiva”, disse. Até hoje, o polo petroquímico de Paulínia, o maior da América Latina, foi o mais afetado por esta crise. Arriscando um cenário futuro, o professor Zuffo foi categórico e avisou que o período de escassez hídrica pode se prolongar até 2030-2040.

* Com informações do El País.

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