Trabalho escravo: a culpa é de quem?

Virou e mexeu os meios de comunicação noticiam denúncia de empresa que explora o trabalho das pessoas. Mas a responsabilidade não deve ser atribuída ao consumidor

Por: - 4 anos atrás

O assunto está em voga. Jornais, revistas, TV rádio, internet, Campanhas para não consumir os produtos de determinadas lojas ou companhias foram lançadas nas redes sociais.

Mas como funciona, você deve deixar de comprar aqui para fazê-lo em outro lugar, porque sua consciência manda? Certo. Mas em dias ou meses, mais uma denúncia acontece, dessa vez é a outra marca que explora as pessoas. E o consumidor se vê, mais uma vez, tendo que mudar seu destino de compra.

Quer dizer então que cabe ao cliente ?punir? as empresas acusadas de trabalho escravo? Não deveria caber ao governo e às outras empresas ? por que não? ? a fiscalização relacionada a essa prática? Será que as leis não deveriam ser mais duras e a fiscalização mais certeira?

O fato é que é tão absurdo quanto horrendo saber que pessoas trabalham em situações sub-humanas, principalmente por serem colocadas nessas posições por outras pessoas. Mas não cabe ao consumidor ser o fiscal nem o promotor dessas ações. Ele deve, sim, denunciar quando houver suspeita, claro. Mas, além disso, é ? ou deveria ser ? de total  responsabilidade do Estado, com julgamento feito ? por que não? ? por outras empresas.

No Brasil moderno
De acordo com o Índice Global de Escravidão, feito pela Fundação Walk Free, organização que coleta dados de 167 países relacionados a trabalho escravo moderno, no Brasil há cerca de 155.300 pessoas nessa situação. Os setores com o maior número de casos reconhecidos de trabalho escravo são a construção industrial, a agricultura e a mineração. Outros campos sensíveis são o turismo sexual no Nordeste e a exploração da mão de obra de imigrantes bolivianos em oficinas de costura.

Em agosto de 2003, foi criada a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), órgão vinculado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com a função de monitorar a execução do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Algumas empresas estão tomando medidas proativas para abordar a escravidão em sua cadeia de abastecimento através da união, no âmbito do Plano Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Os membros do pacto utilizam uma lista suja para identificar os fornecedores com evidência de escravidão. Empresas de abastecimento identificadas nessa lista não são elegíveis para crédito financeiro e enfrentam sanções economicas e jurídicas . O registo tem atualmente 609 empresas e indivíduos listados.

Em maio de 2014, o governo aprovou uma emenda constitucional determinando que uma pessoa física ou jurídica pode ter seus bens confiscados pelo governo se for encontrado explorando trabalhadores.

Os esforços parecem aumentar, mas ainda precisa melhorar muita coisa até que as pessoas responsáveis por essas atitudes sejam devidamente punidas. Isso tudo, independentemente da qaulidade dos produtos e trabalhos sócioambientais.

Com informações dos portais Global Slavery Index e Catraca Livre.