As Mulheres do Mundo: elas e a crise mundial da água

Soluções para poupar o líquido mais precioso do mundo foram apresentadas em painel no Global Summit of Women

Em 76% dos lares dos países em desenvolvimento, as mulheres são responsáveis por buscar água. Muitas caminham quilômetros e gastam horas do dia atrás do precioso líquido, essencial para a vida humana. Dados indicam que, no mundo, são gastas 200 milhões de horas por dia em trajetos em busca de fontes de água para consumo (e não necessariamente as fontes são de águas limpas). Crianças, em geral, mas especialmente meninas jovens ficam presas um ciclo de pobreza e dependência que não acaba nunca. Além disso, a falta de água (e todos os problemas que ela acarreta) mata mais mulheres do que a AIDS e o Câncer de Mama.

Os dados foram apresentados durante o 25º Global Summit of Women, realizado em São Paulo, na última semana. O evento reúne mulheres de vários países para debater temas importantes, apresentar cases de sucesso e, principalmente, analisar seu papel no mundo, além de buscar oportunidades para elas. Uma das plenárias apresentadas, ?Água, o petróleo do século 21?, deixou muito clara a importância da mulher no fornecimento de água para as famílias de nações em desenvolvimento.

Alguns programas de sucesso desenvolvidos pela iniciativa privada em parceria com ONGs foram apresentados. E, mesmo aqueles que não tenham sido específica ou unicamente voltados para mulheres, ajudaram-nas ao modificar a situação ambiental do entorno. É o caso do Programa Cultivando Água Boa, apresentado pelo diretor da Itaipu Binacional, Nelson Friederich, que, entre outras ações, trabalhou com educação e recuperação das matas ciliares, com a plantação de mudas e instalação de cercas de proteção.

?Tomara que a água não seja o Petróleo do século 21. Ela é mais importante pela sua essencialidade. Tem um componente quase que sagrado?, opina Friederich. Além disso, segundo o diretor, a Itaipu Binacional duplicou a presença de mulheres na chefia.

Paula Santilli, general Manager da Pepsico Mexico apresentou números que mostram como a empresa reduziu o uso de água em suas instalações. E contou, também, que foi criado um fundo em parceria com o BID, onde foram investidos mais de US$ 5 milhões, para ajudar a comunidade a ter acesso a fontes de água limpa. ?Quando você direciona um programa para mulheres, ele é 6 ou 7 vezes mais eficiente?, conta Paula.
Já o vice-presidente da Greif Latin America apresentou a PackH2O, ferramenta de transporte de água que promete apagar aquele retrato comum de mulheres carregando baldes e latas na cabeça. Trata-se de uma espécie de mochila feita de um polietileno flexível que ainda é facilmente esterilizado quando exposto ao sol. A Greif trabalha com parceiros na distribuição da PackH2O a comunidades carente, ou ainda a lugares que sofreram grandes desastres. Países como Haiti, Guatemala e Nigéria já receberam lotes do produto, que é leve e tem baixo custo de frete.

O projeto que arrancou suspiros da plateia, porém, foi o da jovem Raissa Muller, que, aos 19 anos, estuda o Cryptomelane, substância que promete separar o Petróleo da água, minimizando acidentes ambientais. ?Houve um acidente grave em minha cidade e nós ficamos sem água por causa do derramamento de Petróleo. Eu tinha 11 anos e, desde então, alimento o sonho de resolver isso. Me formei em química e agora trabalho neste projeto que vai mudar a vida das pessoas?, finalizou Raissa.

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