Proibição do Uber pode ser boa para quem, afinal?

Taxistas contra o Uber, usuários do serviço em seu favor. Afinal, o bloqueio do serviço pode beneficiar alguém além dos que ganham com o mercado de transportes?

Você conhece o Uber? Mesmo sem usar o serviço, o Uber torna-se cada vez mais popular no Brasil, infelizmente muito mais pelas polêmicas em que está envolvido do que pela revolução que o seu tipo de negócio pode oferecer.

Além dos protestos dos taxistas, uma reportagem do jornal ?USA Today? adicionou um pouco de pimenta ao já acalorado debate e afirmou que o aplicativo poderá coletar dados da localização precisa do smartphone dos seus usuários, mesmo quando o aplicativo estiver desligado no aparelho e o usuário tenha desligado, também o GPS do celular?

Na última terça-feira (30/06) do Projeto de Lei 349/2014 proíbiu o transporte remunerado de pessoas por meio de carros particulares cadastrados em aplicativos na cidade de São Paulo.

Por 48 votos a favor e 1 contra, os vereadores de São Paulo aprovaram em primeira votação a proibição de serviços como o Uber. O texto passará por uma segunda votação e depois segue para a sanção do prefeito Fernando Haddad (PT). Se sancionada a lei, quem descumpri-la pagará multa de R$ 1.700 e terá o veículo apreendido.

A justificativa principal para a proibição é que esse tipo de serviço oferece concorrência desleal e é contrário à regulamentação do setor. A medida beneficia taxistas, em guerra com o Uber desde que ele foi implantado na cidade no ano passado. Mas pode beneficiar alguém mais além da classe dos taxistas?

Na última quinta-feira, dia 25, taxistas parisienses protestaram de forma violenta contra os serviços do aplicativo em Paris. A greve, iniciada pelos taxistas, bloqueou estações de trem, dificultou o acesso a aeroportos e complicou a circulação entre as principais avenidas do país.

Enquanto taxistas questionam a legitimidade do app, no Brasil e no mundo, outros veem como retrocesso o bloqueio às suas atividades. ?A Câmara Municipal de São Paulo está tentando parar o inevitável, que é o futuro?, diz Ludovino Lopes, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net).

?Serviços como o Uber não são apenas um movimento em direção a um novo modelo para a indústria de transportes, mas sim uma oportunidade de repensarmos os modelos atuais de exploração econômica e de competitividade do Brasil?, diz Lopes. ?O verdadeiro debate que devemos fazer hoje não é se o Uber deve ser proibido, mas se o modelo econômico que temos atualmente de transporte de passageiros serve para o taxista individual (sobrecarregado de custos e obrigações), se funciona para o erário e se responde às necessidades e anseios de qualidade para o cidadão e para a sociedade brasileira?, afirma.

Para Matias Recchia, CEO e cofundador da IguanaFix, empresas como Uber permitem que pessoas que eram empregadas ou sub-contratadas tenham a possibilidade de se transformar em pequenos empresários e controlar seu destino.

 

A Voz do Consumidor

Abrimos a discussão no Facebook e no Linkedin para saber as opiniões dos internautas em relação ao Uber e sua proibição, veja alguns depoimentos:

“Essa tentativa constante de boicote ao Uber é muito similar ao que aconteceu anos atrás com a indústria phonográfica, e o download de músicas. É mais uma recusa dos prestadores de serviço em se adequar aos tempos, tentando impedir o progresso natural. Ao invés de gastar energia segurando o inevitável, taxistas e cooperativas deveriam abraçar essa tendência, e operar de forma a superar seus novos concorrentes”, diz o social media André Tinoco.

Já a profissional de turismo Camila Queiroz afirma: “Incrível que, ao invés de utilizar o Uber como ferramenta de comparação para a melhoria da qualidade dos taxis comuns (que são MUITO caros), os “movimentos organizados da classe”, ficam fazendo manifestação para anular um produto legítimo e de ótima qualidade

A opinião do CXO Henrique Mäder é que tanto Uber como outros serviços nascem da falta de atendimento adequado aos clientes e se crescem, é porque existe essa carência em oferta descente. Outros virão em outros segmentos e farão a ruptura.

 

Em suma, talvez o grande pecado do Uber seja quebrar uma cadeia que impera nas grandes cidades, a da burocracia e dos intermediários que sempre lucram mais do que a ponta. O maior erro do Uber parece ser a “plataforma tecnológica que conecta motoristas e passageiros”, como o próprio CEO Travis Kalanick definiu.




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