Moda sustentável: incoerente e inacessível ao consumidor

Existe uma parcela do universo fashion que se autointitula de sustentável, mas essa designação pode não estar correta

A palavra sustentabilidade está na moda ? literalmente! Algodão orgânico, garrafa PET, bambu, economia de água. Esses são alguns exemplos de matéria-prima e ações que veem sendo realizadas por alguns estilistas e marcas ao redor do mundo.

De acordo com a consultora de moda, Bida Thomazini, para ser sustentável a moda tem que alinhar os impactos socioambientais aos aspectos econômicos da sua indústria. ?É preciso rastrear o fornecimento de toda cadeia produtiva, investir em pesquisa de novos materiais, possuir um trabalho de excelência na sua linha de produção e tornar viável a comercialização dos seus produtos?.

?Tornar viável?. A palavra sustentabilidade está ligada à viabilidade dos produtos ao consumidor final, ou seja, torná-los amigáveis ao meio sem prejudicar a economia. Mais importante do que querer reformular produtos e serviços para que eles não agridam o meio ambiente é fazer isso os mantendo acessíveis ao bolso das pessoas.

Não é possível nem viável mudar o comportamento do consumidor se o resultado disso for um comprometimento maior de sua renda. É incoerente pensar, planejar e produzir algo inovador, chamá-lo de sustentável e aplicar a ele um valor quase duas vezes maior do que o concorrente, produzido tradicionalmente.

Sustentabilidade engloba educação financeira, transformação positiva do comportamento consumidor, utilização responsável de recursos naturais, manutenção da comunidade que o cerca, responsabilidade social, inovação e tecnologia. Produzir algo com matéria-prima ecológica, reutilizável, reciclável e economizando recursos é uma atitude positiva. Aplicar a esse produto um valor muito maior do que o já praticado, torna-o inacessível a grande parte do consumidor e anula a tentativa de ser sustentável.

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