Crise hídrica foi reconhecida. Qual é o próximo passo?

Medidas devem ser postas em prática com urgência, enquanto consumidores pagam a conta pela irresponsabilidade sobre o assunto

“O sertão vai virar mar, dá no coração o medo que algum dia o mar também vire sertão”.

Embora a cidade de São Paulo esteja 1000 metros acima do nível do mar, o estado de São Paulo vive esse medo. Em meio à maior seca dos últimos 80 anos, após mais de um ano e meio do início da crise hídrica que atinge São Paulo, o governador Geraldo Alckmin reconheceu oficialmente, nesta quarta-feira, 19 de agosto, que a situação hídrica na Bacia do Alto Tietê “é crítica”, através da publicação uma portaria no Diário Oficial do Estado.

A medida permite que o Estado suspenda as licenças de captação particulares de águas superficiais e subterrâneas, para priorizar o abastecimento público na região onde moram mais de 20 milhões de pessoas.

Manter a megalópole com esse montante de habitantes abastecida nos próximos meses é um desafio que vai além do discurso e bota em xeque as autoridades paulistas na história da cidade ? que insistem em culpar São Pedro e a falta de chuvas pela SUA falta de planejamento e investimento em infraestrutura para possíveis períodos de estiagem.

“Apenas alertar que existe uma crise não resolve o problema, porque isso é notório”, afirma o especialista em hidráulica da Unesp, Edmar José Scaloppi, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu. “Qualquer pessoa com um mínimo grau de entendimento da condição climática percebe que estamos atravessando um regime de exceção em relação às precipitações.”

“Eu acredito que a população, já consciente da escassez de chuvas que está prevalecendo nessa época do ano, de alguma forma se antecipou a esse reconhecimento pelo governo do Estado de que a crise está concretizada em São Paulo e já tomou providências para estabelecer uma convivência respeitosa, com o proveito mútuo, para que esses prejuízos não sejam intensificados”, acrescenta o professor.

Para o especialista, é preciso que o governo paulista tome medidas claras, a exemplo do que ocorre no estado norte-americano da Califórnia, onde uma severa seca diminuiu drasticamente os níveis das reservas.

“Na Califórnia, o governador Jerry Brown estabeleceu que em todos os usos urbanos a água deveria ser reduzia em 25%, durante nove meses. Ele apenas privilegiou a agricultura”, exemplifica.

“O que a população espera (em São Paulo) são diretrizes dos órgãos governamentais para que a gente possa conviver, talvez em valores mais realísticos, com a gravidade desta crise”, finaliza.

O reconhecimento da gravidade da crise era cobrado por promotores e entidades civis desde 2014, quando começou a crise em razão da estiagem no Sistema Cantareira, um dos seis mananciais que abastecem a região.

Em meio a escândalos e falta de bom senso por parte da Sabesp na distribuição e logística da água, quem paga a conta e se esforça para minimizar a situação é quem menos deve nessa equação: o consumidor, enquanto a indústria e o agronegócio esbanjam o que temos de mais precioso.

 

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