9 maneiras de quebrar paradigmas nos negócios

Carla Buzasi, do bureau de tendências WGSN, diz por que o pensamento disruptivo é o primeiro passo para inovar

“Quando passamos por várias dificuldades, quando as coisas não estão boas, pensamos em disrupção e em novas formas de fazer negócios. Mas por que ser disruptivo?”, questiona Carla Buzasi, Global Chief Content Officer do bureau de tendências WGSN. “Eu respondo com uma pergunta: por que não ser?”. Este foi o tom que a especialista deu a sua apresentação no Conarec 2015, em São Paulo. E ela sabe na prática o que é mudar paradigmas: jornalista que construiu carreira em publicações renomadas como Vogue, Glamour e Marie Claire, fez parte do time que colocou no mercado do Reino Unido o site The Huffington Post, em 2011, como responsável pela publicação. Quando saiu do veículo em 2014 para integrar o time da WGSN, o site tinha cerca de 8 milhões de leitores únicos por mês.

Não à toa, recebeu prêmios como o Media Innovator of the Year em 2012, foi reconhecida como uma das 50 mulheres mais inovadoras no jornalismo digital em 2013, sem contar outros reconhecimentos como melhor editora online. À frente de todo o conteúdo publicado pela WGSN, Carla explicou, a partir da própria experiência, porque vale a pena mudar e reverter pensamentos. “Tenho um trabalho que não existia quando eu estava na faculdade”, exemplifica. É isso: o mundo muda, o comportamento das pessoas muda, a tecnologia avança e se as empresas não acompanharem esse movimento, elas ficam pra trás.

Carla dá exemplos. Grandes empresas como Blockbuster e BBC estavam ganhando dinheiro em seus nichos de mercado até que apareceram companhias como Instagram, Netflix, Kindle e Amazon, que mudaram completamente a forma como fazemos coisas simples, que pareciam não precisar mudar, como assistir a um filme ou ler um livro. Até mesmo para grandes empresas, portanto, o pensamento disruptivo (ou Disruptive Thinking) é importante.

Como romper barreiras e criar um ambiente em que é possível quebrar paradigmas e inovar? A especialista lista nove maneiras de sair de vez da zona de conforto.

1. Busque significado
Para atrair essas mentes, nada melhor do que entendê-las. Ainda mais agora que a competição entre as empresas é cada vez maior e o consumidor, conectado, tem a sua frente uma gama inimaginável de informação e ofertas. “Estamos competindo pelas mesmas mentes o tempo todo e precisamos pensar em como conseguiremos capturar a atenção delas”, diz. Apresentar-lhes significado é o começo.

2. Se você não canibalizar, alguém vai
Parece loucura, mas é preciso canibalizar o negócio – no bom sentido, claro. Explica-se: Carla conta que quando a internet tomou força, o veículo de comunicação onde trabalhava na época tentava criar formas de “proteger o negócio” daquela onda online. “Ao invés de criar formas para proteger o negócio, temos de pensar fora daquele círculo para enxergar o potencial daquele negócio e crescer”, explica. Um exemplo é a recém-lançada Apple Music, a biblioteca de músicas da Apple. “Muitos podem pensar ‘por que eles fizeram isso? Afinal, agora não vou gastar mais dinheiro com downloads’, mas o que eles fizeram foi criar um novo jeito de dizer que ‘somos algo que você precisa'”, explica. E assim, conseguiram capturar espaço de outros mercados potenciais, como o do Spotfy.

3. Dados + criatividade = impacto
É inegável o crescimento e a importância do Big Data para as empresas… mas números por números não dizem muita coisa. É preciso alinhar essa massa de dados a jeitos novos de captar o consumidor e entender o que eles vão querer – antes mesmo até que eles saibam que vão querer. E para isso, os números são importantes, mas conversar com as pessoas faz a diferença. “Ao invés de ficar em escritórios, converse com outras pessoas de outras indústrias, e a mágica acontece”, afirma. O resultado dessa conta é o real impacto na vida do consumidor.

4. Não ouça o consumidor apenas. Seja ele
“Faça o que os consumidores querem fazer, tenha a experiência dele, se coloque no lugar dele”, afirma Carla. Ela conta que, ao buscar uma nova agência de publicidade, uma determinada empresa fez uma série de encontros com algumas delas. Em um deles, chegou ao local e encontrou coisas sujas, jornais por todos os lados, um lugar sufocante, sem contar o atraso do encontro. No momento em que os executivos da agência chegaram, o possível cliente questionou, furioso, a situação. E recebeu como resposta “é assim que você trata o seus clientes”. Na hora ele entendeu que aquela era a agência certa. “Quando você se coloca na pele das pessoas que vão consumir os seus produtos e serviços, você passa a entender o que elas querem. Muitas vezes, as empresas pensam em grandes estratégias e esquecem das pequenas coisas que podem fazer a diferença”, conta.

5. Aprender com os outros não significa seguir o mesmo caminho que eles
Aqui, Carla fala sobre como as empresas se comunicam e essa comunicação passa pela questão das gerações. É preciso entender de vez que o que funcionava antes dentro das organizações não funciona mais e que a nova lógica de trabalho tem influência direta na forma como as empresas estabelecem seus processos disruptivos. “A Geração Z pensa totalmente diferente, querem coisas totalmente diferentes, carreiras diferentes, querem trabalhar diferente, não querem chefes, mas mentores e  querem negócios diferentes”, afirma. “É preciso estar consciente sobre o que você está vendendo, do seu propósito, e como você faz essa comunicação. Se você quiser que a disrupção seja positiva, precisa pensar em visão, propósito e a comunicação é importante e um desafio”, diz.

6. Suje as mãos
Ficar em uma sala cuspindo ordens não é um bom jeito de incentivar o pensamento disruptivo. Em tempos como os de hoje, todos devem colocar a mão na massa. “Quando você quer fazer alguma coisa, você deve fazer também”, afirma. E, principalmente para quebrar paradigmas, é importante que as pessoas das organizações tenham permissão para errar. “Sempre dizemos isso, mas as pessoas precisam ver isso de verdade”, afirma.

7. Não tenha medo da tecnologia e nem da competição
Mesma lógica: se você não investir, alguém vai. Um exemplo são os espelhos digitais interativos da marca Rebecca Minkoff. Durante a apresentação, Carla mostrou um trecho de uma entrevista realizada com a estilista co-fundadora da marca, em que ela afirma saber que logo a concorrência apresentará o mesmo tipo de experiência para seus clientes. E ela não demonstrou qualquer medo disso. “Ela sabe que o próximo passo é pensar mais rápido. Tem de pensar na próxima coisa que o consumidor ainda não sabe que quer. Quando as coisas ficam maiores, elas ficam mais difíceis, então não tenha medo”, afirma Carla.

8. Às vezes não vender é a melhor maneira de vender
Imagine a cena: 11 carros “escrevem” com suas rodas um recado amoroso da filha para o pai em pleno deserto de Nevada, nos Estados Unidos. Um recado que, de tão grande, pode ser visto para além da órbita da Terra – bem apropriado para o pai astronauta que trabalha e vive na Estação Espacial Internacional. A cena parece tudo, menos um  comercial de carros. Mas de fato é um comercial da Hyundai – tocante, aliás (Veja abaixo). Nele, apenas a história da família. Não há preços, não há dados de performance e design do veículo…tudo isso está bem implícito. “Claro que não vou ver o comercial e comprar um carro da marca, mas as novas gerações estão atentas ao modo como as marcas as tocam”, explica Carla. A venda, então acontece, sem ser forçada.

9. Entenda como a disrupção pode funcionar pra você
Isso porque, no fim do dia, não se pode esquecer quem somos e o que queremos – e isso também vale para as empresas. “Você deve ser você mesmo e se divertir”, afirma Carla. “Seja disruptivo, mas não seja um clichê”.

 

 

 




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