Empresas inovadoras realmente possuem uma causa?

O painel, provocativo do início ao fim, falou sobre a efetiva presença do causa ou propósito dentro das empresas, em especial as novas como Google. No fim, nem tudo é o que parece

Por: - 4 anos atrás

Logo após a apresentação solo de Jeremy Heimans, Cofundador da Purpouse, ele e outros executivos participaram de uma mesa redonda sob o título ?A Incessante busca pela inovação. Caminhos, métodos e cases para criar ideias que funcionam, mobilizam e engajam?. Foi um debate em alto nível e que colocou em discussão, entre outros temas, se as empresas do novo capitalismo seriam apenas capitalistas novos e em um mundo pouco diferente.

Foi realmente um debate incendiário do começo ao fim e mediado por Daniel Domeneghetti, presidente da Dom Strategy Partners. Na abertura do painel, ele compartilhou uma reflexão pessoal a respeito dos negócios inseridos na economia compartilhada e se eles, efetivamente, são frutos da gênese de uma nova ideia de negócio ou apenas uma consequência do modelo ainda vigente. ?Este mundo compartilhado só existe porque há um mundo fisico que o suporte. Dizer que um substitui o outro nao é verdadeiro. Os dois se acomplam, o compartilhado, e o fisico?, afirmou.

E as provocações não pararam. Domeneghetti questionou o público se as empresas com um propósito, caso do Google, realmente mudaram ou pensam em mudar uma das críticas feitas ao capitalismo atual: a distribuição de riqueza. ?O compartilhamento nao mudou a pobreza. Se inovacao é mensuracao na ponta como resultado concreto, então, o resultado nao é melhor, mas apenas diferente. Penso que ocorreu mais uma movimentação de migração da riqueza de um para outro. E isso nao é uma critica, mas um fato?, afirmou.

Fernanda Céravolo, diretora de criação do Google Brasil, admitiu que a distribuição de riqueza é um problema, mas disse que é prematuro dizer quais serão os desdobramentos sociais dos novos negócios. ?A migracao dos modelos  são bons, sem duvida. Concordo com a concentracao de riqueza. Mas penso que essa distribuição vai ocorrer quando todas as tecnologias foram de acesso para todos. É importante entender que a internet é nova e a revolucao é diferente do que ocorreu há 100, 200 anos? disse.

Em meio ao debate, Jeremy Heimans comentou que a divisão entre o velho e o novo poder, mencionado na palestra solo, também se aplica aos novos negócios. ?O Facebook é um clássico exemplo de modelo de novo poder. No entanto, recentemente, fez decisões do velho poder, como interferir nas interações do consumidor?, disse.

Em sua tréplica, Domeneghetti concordou com Jeremy e Fernanda sobre o atual momento da economia compartilhada, que hoje passa por um processo de desenvolvimento. E não apenas aqui, mas no mundo todo. Por outro lado, no Brasil, há bons exemplos de empresas alinhadas ao modelo mencionados por esses três palestrantes: a Natura. João Paulo Ferreira, justamente o vice-presidente comercial da empresa de cosméticos, falou sobre o modelo de distribução da empresa.

?Falando de riqueza, dos R$ 10 bilhões de rendimentos no ano passado, R$ 3 bilhões para as nossas consultoras. Além disso, temos uma plataforma onde investimos em educação e saúde, muito embora não sejamos dessa área. Mas temos o obtidos soluções na nossa plataforma sobre essas questões e isso é um reflexo da nossa causa?, disse.