Dia Nacional do Trânsito: falta estrutura no país

O tempo gasto nos deslocamentos prejudica a economia e a saúde de milhares de brasileiros. Mas isso pode mudar

O Dia Nacional do Trânsito surgiu em conjunto com a criação do Código Nacional de Trânsito, em 1997. O objetivo era estabelecer uma campanha intensificada de conscientização das pessoas sobre o seu comportamento utilizando veículos ou agindo como pedestres.

A palavra trânsito refere-se à circulação de pessoas, animais e veículos em vias públicas ou privadas com o objetivo de obter um deslocamento ou transporte de uma determinada carga, de forma que o carregamento e o descarregamento dessa carga também são partes integrantes do que se entende por trânsito.

Dados divulgados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária referentes ao ano de 2013 asseguram que morrem mais pessoas nesse tipo de acidente do que, por exemplo, de câncer. A maioria desses acidentes está relacionada com infrações cometidas pelos motoristas e até pelos pedestres:

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1.    Uso do celular com o veículo em movimento;

2.    Dirigir alcoolizado;

3.    Excedência de velocidade;

4.    A não utilização correta da sinalização do carro (seta, luz de alerta, faróis etc.);

5.    A não tomada de distância segura em relação ao veículo da frente (algo comum nas rodovias);

6.    Falta de manutenção técnica do veículo (motor, combustível, óleo, freios, pneus e demais equipamentos e acessórios do carro);

7.    A não utilização do cinto de segurança e outros itens de segurança;

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8.    O desrespeito ou o desconhecimento da sinalização do trânsito;

9.    O desrespeito ou o desconhecimento das leis de trânsito.

Segundo dados do estudo ?O Custo Dos Deslocamentos Nas Principais Áreas Urbanas Do Brasil?, o país é um dos que possui maior concentração populacional nas áreas urbanas: 45% dos brasileiros vivem nos 601 municípios das 37 principais áreas metropolitanas existentes. Ou seja, quase metade da população vive em 11% das mais de 5 mil cidades.

Na ausência de um planejamento urbano adequado, o resultado é um forte desequilíbrio entre a ocupação habitacional nas áreas periféricas e a oferta de funções urbanas (empregos, educação, saúde, saneamento, lazer e serviços em geral) nas áreas centrais das cidades-polo.

Nesse ambiente, o impacto das longas viagens pendulares casa ? trabalho ? casa sobre a produtividade, chamado de produção sacrificada, tem crescido ano após ano. Considerando os deslocamentos acima de 30 minutos, mais de 17 milhões de trabalhadores demoram, em média, 114 minutos nessas viagens, o que gera um custo de produção sacrificada superior a R$ 111 bilhões.

Entre as 37 áreas metropolitanas apresentadas na tabela 1, a que registrou o maior tempo de deslocamento foi a do Rio de Janeiro, onde 2,8 milhões de trabalhadores levaram, em média, 141 minutos nas viagens casa ? trabalho ? casa. Em 2012, o tempo de deslocamento na área metropolitana fluminense aumentou 11 minutos em relação a 2011, apesar de o número daqueles que perderam mais de 30 minutos no trânsito ter caído 1,5% (44,0 mil pessoas).

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Isso significa que, embora uma parcela dos trabalhadores tenha conseguido ocupações mais próximas de suas residências, para aqueles que residiam mais distantes do local de trabalho os deslocamentos ficaram mais demorados.

Os dados por cidade mostram que os maiores tempos de deslocamentos e consequente produção sacrificada ocorrem nas cidades localizadas nas periferias metropolitanas, onde é maior a dependência da população da oferta de emprego nas cidades-polo. De fato, esta ?exportação? de trabalhadores provoca um grande fluxo pendular.

A principal variável que impacta o tempo de deslocamento casa ? trabalho ? casa e gera maior impacto à economia é a concentração de empregos nas cidades-polo. Isso faz com que, na prática, os municípios localizados nas franjas metropolitanas sejam regiões-dormitório.

Portanto, a solução para reduzir o tempo de deslocamento e os custos relacionados não está apenas na ampliação das infraestruturas de mobilidade (que precisa ser realizada, em especial no transporte de grande e média capacidade ? trem, metrô, BRT e barcas), mas também no reequilíbrio da oferta de empregos e de funções urbanas nos municípios periféricos.

Com informações dos portais FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e Brasil Escola.




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