Sobre táxis e taxistas

No fim das contas, sempre deveria haver uma escolha do consumidor

 
Eu sou uma pessoa que anda de transporte público. Pouco ando de carro, aos fins de semana com o veículo próprio e, em geral, por eventos da empresa, uso táxi. Por isso, não tive o prazer de experimentar o Uber. Mas é algo que está na minha ?to do list?. Toda essa polêmica envolvendo Uber e Táxis nos faz pensar muitas coisas a respeito dos serviços que recebemos. Minha ideia aqui, já que não sou usuária do Uber, não é avaliar um serviço em relação ao outro. Mas é inevitável mencionar o assunto.
 
Esses dias, pouco antes de sair para um evento, assisti a uma reportagem sobre o Uber X Táxi. O repórter chamava um Uber lá pelas 9 da manhã e ia de um ponto X até o aeroporto. O motorista chegou com carrão, balinha, água. Em seguida, ele chamou um táxi. Sem balinha, carro menor (a mala teve que ir no banco). Em teoria, tudo a favor do Uber. A matéria, no entanto, foi tendenciosa. O valor ficou R$3 mais caro (do Uber) e o tempo levado foi maior ? porque o Uber não usa faixa, segundo a reportagem ? porque eram dez no táxi e nove no Uber, na minha opinião. Mas… de novo, não posso comparar Uber com táxi. Então, vou só ?avaliar? ? se é que sou apta a isso ? os serviços que recebo dos táxis que pego.
 
Pois bem… na ida, o taxista chegou adiantado. E me ligou avisando que já estava à disposição. Desci e dei de cara com um motorista que já tinha me levado antes: um senhor (por volta de seus 80 anos) muito do contador de história, por isso me lembrei dele. Quem prefere velocidade, certamente não gostaria de tê-lo como motorista. Ele se envolve tanto nos próprios causos que acaba não fazendo o caminho mais rápido e nem sendo tão ágil na direção. De qualquer forma, eu simpatizei muito com ele e suas histórias. Uma pessoa alegre, de bem com a vida e, creio eu, até mesmo os mais apressados acabariam deixando de lado a pressa, porque ele era realmente um motorista muito querido. Preocupado com calor, frio, perguntou se eu tinha preferência por caminho, indicou o que ele acreditava que estaria mais rápido (não usava Waze).
 
Já na volta… chamei o táxi. Aqui, cabe uma observação: dificilmente consigo que um carro venha em menos de dez minutos. Posso dizer que dez minutos é sempre o tempo mínimo que fico esperando. Eu já vi acontecer de, perto da minha casa ? um perto que levaria quase dez minutos ? os motoristas aceitarem novo chamado e avisarem que chegariam em dez minutos. Não vi uma vez só. Mas… cada um sabe do seu serviço.  
 
Naquele dia, não foi diferente. Dois minutos depois de desligar o telefone, veio a mensagem que o táxi chegaria em dez minutos. Não sei se fui chata. Mas esperei os 17 minutos para ligar reclamando, até porque pelo mapa que a empresa me disponibilizou parecia que o táxi não tinha saído do lugar. Fui informada que ele chegaria em um minuto e, de fato, chegou em dois. Um moço não muito bem-humorado, mas até ouviu minha solicitação de usar o Waze. E não foi antipático, não posso dizer disso.
 
Bem… o moço corria. Muito. Eu tenho amigos que correm. Que cortam no trânsito. Não é o meu estilo preferido de direção, mas, em geral, são meus amigos e, com o tempo, a gente adquire confiança nos amigos. Eu nunca tinha visto aquele taxista. Foi a primeira vez. E ele correu e freou e sacudiu como se eu fosse carga, não gente. Eu fiquei visivelmente tensa e cheguei a dizer para ele que não tinha pressa. E a sensibilidade dele de me perceber? Zero.
 
De novo, tenho amigos que prefeririam o segundo motorista ao primeiro. Gosto de cada um, não é essa a questão. O lance é a capacidade dos motoristas de perceberem o seu passageiro ? o seu consumidor. Já peguei taxistas bons e ruins (confesso, maioria). Então, no fim das contas, não acho que seja algo entre Táxis e Uber. Acho, sim, que é algo entre um bom e um mal serviço. No Uber, temos para quem reclamar. Assim, fica a sensação que os motoristas se importam mais em perceber o cliente, em tentar entender o que e como eles querem seu serviço. Mas acho que muitos taxistas precisam aprender a melhorar seu atendimento. Dá a impressão de que, como antes não havia concorrência, os clientes teriam que se contentar com aquilo. Ou pagar muito mais para ter algo melhor. E, de repente, surge algo com preço equivalente que oferece um serviço muito melhor. Difícil não mudar de lado, né?
 
Ainda assim, tentei insistir. Infelizmente, o taxista bonzinho, que eu apelidei de ?tiozinho querido?, me informou que eu não posso pedir aquele (ou qualquer outro) táxi especificamente. Uma pena, seria uma chance de diferencial.




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