Inadimplência faz desemprego disparar

Pesquisa da Boa Vista SCPC mostra o tamanho do estrago no mercado de trabalho

O desemprego disparou como principal motivo que levou o consumidor à inadimplência, de acordo com a Pesquisa Perfil do Inadimplente sobre o quarto trimestre de 2015, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

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Pelo levantamento, 41% dos consumidores inadimplentes entrevistados afirmaram que o desemprego foi o que motivou a inadimplência, o que representa um salto de 5 pontos percentuais em comparação ao quarto trimestre de 2014. Segundo a entidade, o dado reflete a deterioração do mercado de trabalho observada ao longo do ano passado.

A pesquisa revelou também uma queda na intenção dos consumidores em realizar novas compras, após quitarem as dívidas: apenas 21% pretendem fazer novas compras depois de saldar seus compromissos ? redução de 11 pontos percentuais em comparação com o ano anterior. Ao todo, 78% dos consumidores não pretendem realizar novas compras.

Depois do desemprego, o segundo motivo causador da inadimplência foi o descontrole financeiro, apontado por 23% dos participantes do estudo.

Gasto com alimentação, despesa no carnê e valor da dívida
A alimentação gerou a inadimplência para 18% dos entrevistados, seguido por aquisição de vestuário e calçados (18%) e pagamento de contas diversas (17%). A aquisição de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que foi considerada a principal causa nos últimos trimestres, desta vez foi citada por 16% dos entrevistados.

A forma de pagamento mais utilizada na compra que gerou a inadimplência foi o carnê/boleto, com 34% das citações, seguida por cartão de crédito (28%), cheque (14%), empréstimo pessoal (12%), cartão da loja (7%) e cheque especial (5%).

Quanto ao valor das dívidas, 31% dos consumidores disseram que a soma das dívidas em atraso é de até R$ 500, enquanto 51% têm entre R$ 500,01 e R$ 5.000 e 18% devem acima de R$ 5.000.

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32% estão muito endividados; preferência por parcelamento
Quando questionados sobre o nível de endividamento, 36% dos entrevistados na pesquisa da Boa Vista SCPC se declararam pouco endividados, 32% muito endividados e 32% mais ou menos endividados.

A renda familiar dos consumidores está comprometida até 25% com o pagamento de dívidas para 46% dos entrevistados, de 25% a 50% para 30% dos consumidores, e acima de 50% de comprometimento para 24% dos pesquisados.

A maioria dos entrevistados (81%) declarou possuir condições de pagar as dívidas vencidas e que geraram a restrição, 11% têm condição de pagar parte da dívida e 8% não têm condições de pagar. Dos que vão pagar totalmente, 57% irão regularizar a dívida de forma parcelada, dos quais 67% irão regularizar nos próximos 30 dias.

Dívida menor, pessimismo maior
O levantamento revelou também que 31% dos inadimplentes declararam que suas dívidas diminuíram, enquanto para 37% continuam iguais e para 32% pioraram, percentuais que mostram certa estabilidade em relação ao resultado do ano anterior.

Por outro lado, em relação à percepção da renda versus gastos para os próximos 12 meses, 70% responderam que a situação melhorará, seguida por 18% que acreditam que estará tudo igual e 12% que esperam piorar. Esse pessimismo era presente apenas em 2% dos entrevistados no 4º trimestre de 2014.

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