Vamos viver no mundo da Lua

A corrida espacial não é mais como era antigamente…

Romolo Tavani/ Shutterstock

Em 2007, o Google lançou a iniciativa Google Lunar XPrize. Qual seria a lógica de fomentar a exploração lunar décadas após a Nasa ter colocado o homem no satélite que orbita em volta da Terra? A ideia era – e é – ambiciosa: formar um time de profissionais – cientistas, exploradores, engenheiros, matemáticos, em volta do globo, capaz de reviver as possibilidades da exploração da Lua e do espaço. Para isso, a iniciativa XPrize oferece um prêmio de US$ 30 milhões para o time que oferecer a solução mais viável, brilhante e inteligente para viabilizar a exploração consistente do que existe além da Terra.

O efeito dessa iniciativa foi impressionante: dezenas de gênios, talentos visionários começaram a se mobilizar em cerca de 10 países para a competição. Uma vez ao ano, reúnem-se em Mountain Valley, sede do Google para avaliações. Robótica, pesquisa de materiais, cálculos de pesquisa de solo, física são disciplinas aplicadas na empreitada de levar um modelo de automóvel de exploração para a Lua (veja a foto).

Mais do que um reconhecimento, o projeto Google Lunar constituiu-se numa saga. E esta saga mereceu a criação de uma web série denominada “Moon Shot”, produzida por ninguém menos que JJ Abrams, com sua Bad Robot, mais a Epic Digital. Os quatro primeiros episódios foram apresentador no SXSW, em primeira mão. Mostram gente como Deepana, uma frágil indiana que especializou-se em matemática e hoje responde pelos cálculos que viabilizaram a construção do veículo explorador, ou ainda Alex Dobrianski, um gênio radicado no Canadá que pesquisa outras formas de locomoção no ambiente lunar. Cada episódio da série aborda um personagem e todos eles estavam presentes na avant premiére no SXSW.

Uma nova etapa da conquista da Lua

O que antes era privilégio de governos, que reuniam condições e paranoias para conduzir a exploração espacial, hoje, com a evolução da tecnologia, tornou-se uma empreitada possível para empresas diversas. Google, SpaceX, Amazon lançaram-se à corrida espacial. Um novo mercado está nascendo, com empresas, inovações, negócios e uma nova arena de conhecimento foi aberta.

Os episódios mostrados no SXSW constituem uma obra que retrata os valores universais responsáveis pela evolução humana: a capacidade de sonhar, de experimentar, de persistir, de ir além, de tentar caminhos diferentes. Os personagens são carismáticos, falam com simplicidade e revelam seus sonhos e aspirações de modo muito honesto.

Após a exibição dos filmes, aconteceu uma rápida conversa entre Josh Davis, produtor da Epic Digital, Orlando von Einsiedel, diretor e cineasta da Grain Media e
Andrew Lee, produtor da Bad Robot, produtora de JJ Abrams.

O fato é que a prerrogativa de pensar apenas em governos com capacidade para reunir capital, talento e recursos para promover empreitadas como viagens especiais já foi superada. A iniciativa Google Lunar XPrize conseguiu mobilizar um time de pessoas excepcionais, que sacrificaram o que foi possível pelo sonho de fazer a humanidade seguir uma nova e incrível jornada.

Um dos filmes exibidos dá a exata dimensão do que significa fazer parte dessa nova conquista da Lua. Um dos personagens fala, de modo cativante e emocionado: “Adoro a ideia de começar do nada e entregar algo útil para a humanidade. Em muitos pontos, a robótica é a expressão de uma nova geração. Eu prezo a idade e abraço a velhice. Estou num ponto da vida em que as máquinas podem fazer grandes coisas. Vou deixá-las em boas mãos”. Sim, a robótica e a concepção de tecnologias para exploração do espaço estão em desenvolvimento acelerado. A nova corrida especial é uma iniciativa privada, que resgata a propensão de pessoas talentosas a se engajarem em uma causa que transcende a própria natureza da Terra. É uma revolução trazer a Lua para perto, o espaço para pessoas comuns. Um novo campo de estudos, de informação, de inovação. Não é sobre ir para a Lua, é sobre criar e mostrar que tudo é possível.

 

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Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão.




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