?Estamos no meio de um tsunami?

No Trends NOVAREJO, Gérman Quiroga fala sobre como o digital tem revolucionado os modelos de negócios

MarinaP/Shutterstock

O que existe em comum entre o Walmart, a Amazon e o Alibaba? Os três representam os modelos em voga hoje no varejo ? loja física, e-commerce e marketplace ? e passaram por transformações por conta do impacto do mundo digital. ?O varejo está se transformando e isso está acontecendo cada vez mais rápido?, disse German Quiroga, especialista em e-commerce e marketplace e ex-CEO da Nova Pontocom, durante apresentação no Trends NOVAREJO, evento realizado nesta manhã (30), em São Paulo, e que reuniu as principais tendências e temas relevantes para o varejo vistos em diversos eventos importantes realizados em diversos países.  

Essa transformação pode ser vista na própria geração de valor das empresas. Enquanto o Walmart, que fez a abertura do capital na década de 70 com um modelo tradicional, levou 40 anos para conseguir alcançar um valor de mercado que hoje chega a US$ 218 bilhões, a Amazon levou 20 anos para chegar a US$ 280 bilhões e o Alibaba alcançou a marca de US$ 190 bilhões em dois anos de IPO.

E tudo isso aconteceu por conta do digital. ?O mundo físico requer segurança, sacolas, carrinhos, a concorrência é local, tem em geral poucas opções de produtos, estoque limitado, e o poder está mais na indústria do que na loja – esse é o passado?, explica Quiroga. Já hoje, a compra acontece em qualquer lugar, no físico ou no digital, a escala é maior, a distância começa a não ser uma barreira grande e as marcas e produtos têm mais força do que a indústria. ?O consumidor e as marcas ganham mais poder agora, o ciclo de compra é mais rápido e o preço é mais justo?, avalia o executivo.

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No futuro, esses conceitos serão mais fluidos. ?No futuro, o mundo é um ponto, o papel vira bit, o cliente é o próprio canal, as distâncias desaparecem, a competição é global, o cliente tem poder, a mídia é individual, a compra é instantânea e os preços tendem a zero, porque têm outros modelos que suportam a receita?, afirma o especialista.

Diante disso, as empresas que conseguirem se adaptar começam bem o jogo da competitividade. ?Quem não se adaptar rápido está condenado. Não estamos vivendo uma onda, estamos agora em pleno tsunami, porque tem muita coisa ocorrendo ao mesmo tempo. E diante de um tsunami, você não pode ficar parado. Tem de se reinventar?, afirma.
Em meio a esse tsunami, tanto o Walmart como a Amazon são exemplos de empresas que conseguiram se adaptar, principalmente a última. ?A Amazon começou vendendo livros e hoje vende de tudo, é uma empresa de tudo e é cada vez mais uma marca que é lembrada pelo consumidor?, afirma.

Diferente de alguns anos atrás, as tecnologias estão mais baratas, as interfaces estão evoluindo, as redes sociais têm cada vez mais impacto nas decisões de compras e tecnologias como inteligência artificial e realidade virtual pautarão os negócios. ?Quem está achando que está ganhando o jogo é o primeiro mal informado. Tem de visitar modelos, entender modelos e o ponto é que o digital está extrapolando, está destruindo gigantes e criando novas empresas poderosas?, afirma.

Para Quiroga, se por um lado o País passa por uma crise, por outro ela gera oportunidades e desafios que mudará a lógica dos negócios. ?Quem aproveitar bem essa crise pode ir pra frente, sobrevive e pode ganhar mercado?, avalia. ?Não esperem que as coisas mudem se a gente faz sempre a mesma coisa – é nas crises que nascem as invenções?, afirma.

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