Entenda e compare o gasto de energia com eletrodoméstico

Você sabia que, na maioria das vezes, a opção pelos produtos com classificação A não representa menor gasto de energia elétrica?

Por: - 3 anos atrás

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O consumidor que olha a indicação “A” de maior eficiência energética para definir a compra de um eletrodoméstico pode estar sendo enganado, porque há produtos que apesar de consumir bem mais energia, têm a mesma classificação. Foi o que constatou estudo da PROTESTE Associação de Consumidores ao comparar o gasto de energia de diferentes marcas de máquinas de lavar roupa, geladeira e ar condicionado, como parte da campanha Quem Cala Paga Mais Luz.

A desatualização dos índices do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e a falta de evolução dos critérios para algumas famílias, fez com que os produtos ficassem concentrados na classificação “A”. O consumidor, na realidade, opta por produtos menos eficientes, pagando mais na conta de luz. Os fabricantes dos produtos mais eficientes ficam sem estímulo para investir em inovações tecnológicas que melhorem ainda mais a sua performance. Os produtos acabam por serem nivelados por baixo nesse critério.

A PROTESTE constatou que 98% das geladeiras Frost Free duas portas (250 modelos) e 84,8% dos refrigeradores de duas portas comuns (56 modelos) têm classificação “A”. Estas duas famílias representam 81,7% do mercado de geladeiras no Brasil, demonstrando que dificilmente o consumidor poderá usar a etiqueta como uma fonte de informação para sua decisão de compra. A última revisão dos critérios de eficiência para esta classe de produtos foi feita há 10 anos, em 2006.

A situação é crítica para o ar condicionado. Com o surgimento de uma tecnologia mais eficiente no mercado (que permite com que os compressores funcionem apenas na velocidade necessária para manter o resfriamento do ambiente com pouca oscilação e consumindo menos – os chamados “inverters”), esta questão fica mais evidente. Para a classe de produtos Split sem essa característica, apenas 29% de todos os produtos disponíveis no mercado são “A”, enquanto que para a família de produtos Split Inverter, 88% dos produtos levam tal selo de eficiência. Desta forma, fica evidente que os níveis da etiqueta deveriam ser mais restritivos, desvalorizando a tecnologia notoriamente menos eficiente e promovendo uma melhor dispersão entre as faixas da tecnologia inverter.

No caso do ar condicionado de janela, a soma das classificações “C” e “D” para os aparelhos de parede não passam dos 11%, demonstrando a concentração na parte superior. O mais crítico é que de 2006 para cá, o valor de eficiência para classificação “A” foi irrisória (na ordem da segunda casa decimal).

Para saber quanto você paga a mais do que deveria em energia elétrica comparando o produto que você tem em casa com o produto mais eficiente da mesma categoria, a PROTESTE preparou uma tabela disponível no site da campanha Quem Cala Paga Mais Luz (www.quemcalapagamais.com.br).

Revisão do Inmetro

Como o consumidor não consegue diferenciar o produto com a classificação da etiqueta, perdendo o programa sua função comparativa, a PROTESTE pediu ao Inmetro a sua revisão compulsória a cada três anos, mantendo no máximo 30% dos modelos com classificação “A” de desempenho energético. E no caso de mais da metade dos produtos alcançarem classificação “A”, em um tempo inferior a três anos, o programa passe por revisão automática dos índices.

Também foi pedida a inclusão de novos parâmetros de medição para máquinas de lavar roupa: eficiência de centrifugação e lavagem e consumo de água. Tais parâmetros estavam sendo previstos na revisão do programa proposta na Portaria nº 314/2014, mas não foram colocados em prática até agora.

É mais baixa a alíquota (10%) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado para geladeira e máquina de lavar roupa com nível “A” de eficiência energética. Ou seja, para os fabricantes tal situação é cômoda, pois manterão o benefício sem que isto reflita uma melhoria real na tecnologia dos produtos.

Entre as críticas ao programa, a PROTESTE destaca a não consideração para as máquinas lava e seca, do consumo de energia secando roupa. “Isto é um absurdo, pois quem compra o produto com esta função vai querer comparar quanto vai gastar a mais na conta de luz com o uso completo do produto, não só para lavar ou para secar roupa”, critica Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da PROTESTE.

O consumo de energia elétrica durante o processo de secagem é muito maior do que durante o programa de lavagem com água fria. O mesmo produto gasta para lavar 5 quilos de roupa com água fria, uma vez por dia, o equivalente a R$ 3,85 por mês na conta de luz. Já para secar esta mesma quantidade de roupa, acarreta mais R$ 92,11 por mês na fatura de energia (levando-se em conta o custo da tarifa de São Paulo). Isto gera discrepâncias absurdas, pois se classifica o produto quanto a sua eficiência energética pelo gasto de R$ 3,85, enquanto o consumo durante a secagem (ao custo de R$ 92,11), não é levado em consideração.

Ainda, o consumidor não sabe qual o programa deve utilizar para obter os índices contidos na etiqueta, pois esta informação só é repassada pelo fabricante ao laboratório, quando do teste do produto para etiquetagem e acompanhamento. Há máquinas com mais de 12 programas diferentes para serem utilizados, dessa forma o consumidor não sabe qual deles escolher para obter os resultados que deveriam ser os mais eficientes. Tal informação deveria estar disponível na etiqueta do produto.

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Serviço:
O que: Seminário A Era do Diálogo
Quando: 19 de abril de 2016
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