O supermercado foi ao banco e ganhou dinheiro

A incrível experiência da varejista Tesco no mercado financeiro

Dubai – Emirados Árabes – Benny Higgins subiu ao palco, assumiu uma posição e assim ficou. Nem um único, mísero slide. Benny, o microfone, a voz. João Gilberto iria vibrar. E então o executivo dedicou-se a falar com fleuma britânica (escocesa, para ser exato), levemente sarcástico, e trouxe ao público do World Retail Congress a aventura da rede de supermercados Tesco, do Reino Unido, no mercado financeiro.

Fundado há 20 anos, o banco Tesco é um sucesso. E o inefável Benny é o seu CEO. O case não representa simplesmente uma forma de diversificar receitas de um grupo varejista, mas antes, mostra como bancos e varejo podem trabalhar juntos gerando uma enorme quantidade de oportunidades.

A palestra de Benny, “Colocando serviços financeiros no varejo”, foi simples e marcante. Um banco tem notável complexidade de operação. “Pensem na dificuldade de criar cultura financeira em uma rede de varejo”, de uma hora para outra, uma empresa voltada para produtos, precisa pensar também em todas as dimensões de um banco, que vai além de financiar consumidores e a própria operação varejista. É hoje, o banco tem 76 milhões de clientes, gente que toma empréstimos, financiamentos e que têm cultura digital. E foi o banco que ajudou a Tesco a migrar para o digital. “Combinando produtos financeiros e presença digital, fizemos os clientes do banco gastarem mais nas lojas.”

O desafio da cultura e os 6 “Cs da boa gestão
Para Benny, cultura é muito importante em um negócio. E duas características a definem – as coisas que a identificam: rotinas, comportamentos, processos, atitudes, valores. E as grandes decisões tomadas pela liderança. “Negócios são julgados pelas decisões da liderança e elas devem estar relacionadas à cultura. Por isso, a comunicação importa. Toda forma de comunicação, defende o executivo. A partir da cultura, o Banco definiu tudo aquilo o que deve ser a base de uma boa gestão financeira, imprescindível para qualquer empresa. São pilares que hoje se disseminam por toda a Tesco. 6 conceitos ou 6 “Cs”:

– Confidência – ou seja confiança, a capacidade de ser justo e de seguir regras;

– Compostura – tomar decisões sem emoção, equilibradas, manter o bom senso e saber reagir sem pânico diante das mudanças;

– Curiosidade – estar aberto às novidades. Sem isso, não se sobrevive a um mundo de mudanças rápidas;

– Coragem – a mais importante de todas para Benny Higgins. Lideranças sem coragem não podem tomar decisões difíceis;

– Coaching – preparação – fazer as pessoas melhores e mais conscientes do que devem fazer;

– Comunidade – contribuir para a comunidade na qual cada negócio, filial, agência, loja, se insere.

E dessa forma, simples, imóvel, a audiência percebeu que tinha absorvido um conteúdo valioso. Parece simples pensar em um negócio apoiado em seis palavras que começam com a letra “C”. Mas olhando a performance notável e a solidez da Tesco, percebemos que ali, a gestão e a estratégia estão fazendo tudo certo. Outra palavrinha que começa com “c” e que combina com outra essencial: “consistência”.

Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão

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