Qual a média de consumo de internet no Brasil?

A pergunta “de um milhão de dólares” poderá ter uma resposta entre os meses de junho e julho. O especialista do NIC.br fala sobre o assunto em entrevista à Consumidor Moderno

alphaspirit/ Shutterstock

O gerente de projetos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) , Fabrício Tamusiunas, é um assíduo usuário da internet. Assim como muitos outros brasileiros, ele está preocupado com a possibilidade da diminuição da velocidade – ou até mesmo o cancelamento do seu pacote de dados – em função da ameaça das operadoras de telefonia do País em estabelecerem limites para o uso da rede mundial de computadores.

Por ora, há certo alívio dele e de outros consumidores em função de uma determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que suspendeu qualquer interrupção ou diminuição de velocidade prevista por tempo indeterminado.

Em entrevista à Consumidor Moderno, Tamusiunas, um dos mais respeitados especialistas em internet no país, questiona a legitimidade dos estudos de consumo de dados por consumidores, supostamente feito pelas empresas e que baseou a criação dos pacotes, que vão de 10 GB a 130 GB por mês. Mais do que isso, ele avisa que entre 45 e 60 dias, o Comitê Gestor da Internet deve apresentar os primeiros resultados de uma pesquisa que mostra a média de consumo do brasileiro. “Eu gasto entre 800GB a um Terabyte por mês. Não me parece justa essa oferta”, afirma.

Pesquisa Nacional

Talvez nem todos conheçam o Sistema de Medição de Tráfego de Internet (SIMET), do Comitê Gestor da Internet (CGI) brasileiro. Ele é uma das mais democráticas ferramentas usadas para medir a velocidade e outras informações importantes quando o assunto é a rede mundial de computadores, tais como Jitter, perda de pacotes, entre outras.

Entre os meses de junho e julho, no entanto, o SIMET e os especialistas em internet que coordenam o projeto do CGI devem ter acesso aos primeiros dados sobre a média de consumo de internet fixa do consumidor brasileiro. O dado não irá apenas apimentar o debate entre empresas e usuários. Será um levantamento altamente relevante, uma vez que irá considerar as informações de 2,5 mil roteadores espalhados pelo país e que vão fornecer dados ao CGI. “Vamos analisar o perfil da internet no país por região, a média mensal de consumo, entre outras informações”, avisa Tamusiunas.

Os dados não representam apenas o primeiro e idôneo levantamento do gênero no país desde o início da polêmica sobre o limite da internet fixa. Mais do que isso, serão um divisor de águas sobre a continuidade ou não desse tipo de oferta feito por empresas aos consumidores.

Um exemplo é o próprio consumo de Tamusiunas, que no último mês esteve entre 800 GB a um Terabyte. “Foi um mês atípico. Eu voltei a jogar videogame on-line, fiz alguns downloads para o console e ainda mantive a rotina de filmes no Netflix. Mas quando observo o mercado americano, que já possui pacotes com limites, eu entendo que estou dentro da média americana”, afirma.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações, mais de 70% dos países possuem pacotes básicos de internet fixa ilimitados. No entanto, o modelo que mais se aproxima do brasileiro é o americano, que também tem suas diferenças com o Brasil – e isso não diz respeito apenas à velocidade.

Hoje, segundo o especialista, existem pacotes americanos que oscilam entre 500 GB a um Terabyte. Ou seja, ele está inserido na média do mercado americano. No entanto, é preciso observar um detalhe imprescindível quando o assunto é consumo de dados no país: a velocidade da rede.

Maior velocidade, mais dados

Os EUA (citado por Tamusiunas) ocupam a 10ª colocação no ranking da melhor internet do mundo, com 10 Mb/s. A maior velocidade está na Coreia do Sul, com 21 Mb/s. Já o Brasil ocupa a 83ª posição (abaixo do Iraque e Azerbaijão) 2,7 Mb/s.

Conhecer a velocidade é o ponto de partida para entender o consumo médio do brasileiro, segundo o especialista do NIC.br. “Quanto maior a qualidade, maior é o consumo de banda”, avalia Tamusiunas.

O consumo dos modelos de serviços “stream”, tais como YouTube e Netflix, exemplifica bem essa máxima do especialista.

Antes de oferecer um vídeo, a tecnologia do Netflix analisa a velocidade da internet e, então, envia um vídeo com a sua respectiva qualidade. Assim, dependendo da quantidade de dados enviados por segundos, a pessoa receberá um filme ou série em baixa resolução ou até em até um 4K.

“Em alguns casos, é possível selecionar a qualidade de imagem e reduzir o consumo de dados. Em outros, a definição é feita pela própria plataforma, que envia um vídeo bom ou ruim. Tudo depende. No entanto, a melhor imagem implica em maior consumo de dados”, afirma.

Um exemplo que ilustra a afirmação de Tamusiunas é o próprio Netflix. Uma hora de filme ou série na qualidade HD consome 5,7 Gb de dados – quase metade do pacote básico de uma operadora brasileira.

O que vai acontecer com a internet no Brasil? É provável que o parecer final seja dado pelo parlamento brasileiro, mais especificamente pelo Senado. O processo de impeachment deve esfriar o debate, mas após decidirem o futuro da presidente Dilma Roussef, a internet deve ser o próximo assunto.

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