Porque mudar a rota faz parte da viagem

O Fusca continua sua viagem, mas o caminho reservou surpresas divertidas, com vários carros, comidas e, sobretudo, pessoas e suas histórias

Foto: Natanael Sena

Recebemos o convite da Ana Paula, que nos acompanhava desde a primeira viagem, para conhecer Rondonópolis. Não estava na nossa rota ir para lá, porém se fosse pra seguir uma rota certa, nós nem tínhamos saído de casa. Assim, ajustamos o roteiro e partimos.

A estrada esburacada fez com que um percurso de quatro horas demorasse aproximadamente dez horas para ser finalizado. Isso, além do tempo perdido, causou prejuízos no fusca que, de tanto passar pelos buracos da BR, perdeu o escapamento do lado direto, o vidro do retrovisor, diversos parafusos se soltaram e a porta do motorista ficou torta. Mas isso era apenas mais uma fronteira que deveríamos cruzar na rota de nossas vidas, e assim foi feito.

Fotos: Natanael Sena

Fotos: Natanael Sena

Mas vamos falar da parte boa. Chegando em Rondonópolis, fomos recebidos com um grande churrasco na oficina do Hernani, esposo da Ana Paula.

A cidade é bem quente. Por isso, o Rio Vermelho, que fica próximo da cidade, é sempre presente no cotidiano das famílias, que, em geral, têm a pesca como hobbie. Hernani reservou uma chácara para pousarmos durante alguns dias. Ele e sua família são dessas pessoas raras de se encontrar, pessoas puras, sinceras e dispostas a ajuda todos que precisam. Era comum encontrá-lo pescando (tarde da noite) em um pequeno deck que liga a chácara ao Rio Vermelho. Acredito que ali ele descansava sua mente do dia duro e intenso que se vive em uma oficina mecânica.

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Hernani nos apresentou, entre outras pessoas, ao Cristiano “bailarino”, dono de um ferro velho e colecionador de histórias:

“- Vendi uma Saveiro parcelada: R$150,00 em dinheiro + R$ 100,00 em peixe todo mês. Comi tanto peixe que não cabia na geladeira. Chegou uma hora que pedi para ele não me trazer mais o peixe.”

“- Fui atropelado pelo meu próprio pai, enquanto ele manobrava um fusca. Caí no chão com a cabeça sangrando e, como a terra era vermelha, minha mãe quase desmaiou, não sabia o que era sangue o que era terra. Tenho o buraco até hoje na cabeça, olha aqui ó, pode por a mão”, conta.

E nesse clima de muita paz e alegria Hernani organizou um encontro de fuscas na chácara, com direito a JavaPorco, comida típica do local. O Javaporco é o resultado do cruzamento do porco doméstico com o javali, que costuma viver em bando, tem hábitos noturnos e, normalmente, não é criado em cativeiro. Sua carne é muito mais macia que a do porco e também é um pouco mais doce.

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Se, em nossa última aventura, conhecemos o Pedro em Rivera (Uruguai), de quem nunca esqueceremos, podemos dizer o mesmo sobre o Hernani. Isso me faz concluir que começamos com o pé direito. Ganhamos uma família em Rondonópolis que nos auxiliou em todos os sentidos, inclusive sugerindo nosso próximo destino, que seria Bom Jardim, a 150 km de Cuiabá, capital do estado.

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É a viagem que segue…

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