Das dívidas à solução: recuperação em debate

A solução para um Brasil desconfiado foi tema de debate em painel do Recover Money

“O país em débito com seus cidadãos: caminhos para restaurar a confiança na economia brasileira”. Foi esse o tema do primeiro debate do Recover Money, mediado por Jan Piotrowski, São Paulo bureau chief do The Economist Newspaper.

Questionado sobre os erros que levaram a economia do Brasil ao patamar em que está, Caio Megale, economista do banco Itaú, afirma que o país passou por duas fases. “Primeiro, tivemos um momento de abundância. O Brasil e a América Latina passaram por uma década de grande crescimento”, explica.

Nesse período, o país estava muito focado na demanda de consumo e era muito fácil obter crédito. O problema, porém, é que não houve cuidados com a oferta. Temas como infraestrutura e educação, por exemplo, foram ignorados. “Há alguns anos, o nível de emprego era alto”, acrescenta.

Diante dessa situação, portanto, os consumidores estavam satisfeitos. Os problemas econômicos, porém, surgiram e causaram dor para os consumidores. “Todos viraram credores”, aponta.

João Luiz Braga, sócio da XP Gestão, por sua vez, questionado sobre a expectativa de um possível impeachment e um eventual governo de Michel Temer, comenta que os empresários não estão esperando pelo desempenho do vice-presidente. “Ele precisa apenas fazer com que as apostas melhorem. Acho que a principal atitude é fazer o Brasil degringolar”, defende.

Luiz Antônio França, sócio-presidente da França Participações, apontou que está muito claro para todos que o consumo despencou – o mercado de roupas, imóveis, tudo diminuiu. “Para trocar o carro, por exemplo, o consumidor tem que estar confiante. Acho que pode mudar o comportamento primeiro em insumos básicos, depois os mais complexos”, sugere.

Nesse sentido, Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa Experian, aponta que é perceptível que estamos vivendo um surto de inadimplência nos últimos tempos. “Encontramos pessoas tentando reduzir as dívidas, mas o aprofundamento da recessão dificultou esse processo. Isso gera desequilíbrios gravíssimos e, é claro, quem mais sofre é a classe baixa”, diz.






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