Em uma sociedade de consumo, o que é melhor: gastar ou poupar?

Em debate no Recover Money, especialistas analisam o comportamento financeiro do consumidor brasileiro, de gastar mais do que poupar, e suas consequências

Foto: Fernando Zuanon

A situação financeira das empresas é, sim, reflexo da situação macroeconômica do país, mas também reflete o comportamento financeiro dos consumidores brasileiros. Daí vem a importância de se debater o tema, entender justamente o que leva esses consumidores a gastarem como gastam e a pagarem como pagam – ou não.

Foi justamente isso o que fizeram Erika Ribeiro, senior engagement manager da Value Partners, e Carlos Alberto Wiebush Martins, superintendente-executivo do Banco Losango/ Banco Múltiplo, sob mediação de Michel Alcoforado, sócio e fundador da Consumoteca e colunista da revista Consumidor Moderno, no painel “Gastança ou poupança: uma reflexão sobre o país que queremos ser e a economia que podemos ter”, durante o Recover Money.

“O Brasil pode se basear em dois modelos econômicos. Por um lado, temos a economia americana, que consome muito, mas tem alto índice de endividamento e, por outro, países como Japão e Alemanha, que poupam muito. A solução está em gastar ou poupar?”, questionou Alcoforado.

Para Erika Ribeiro, o Brasil tem um modelo parecido com o norte-americano. Seria, portanto, interessante, importante observar como eles chegaram a essa inadimplência, e como conseguem manter essa economia forte. Eles passaram por uma crise e sobreviveram. Acho saudável prestar atenção nisso”, diz.

Carlos Martins, do Banco Losango, completa lembrando que é bom que haja consumo, “mas tem que ser sustentável. O brasileiro compra bastante por impulso e tropeça no seu orçamento. Assim, a solução seria talvez seja poupar um pouco mais e consumir dentro com consciência, planejar um pouco”, completa.

Ao longo do debate, ficou claro que as instituições financeiras e varejistas já se sentem mais responsáveis e vêm atuando para contribuir com esse consumo consciente. Além disso, novas tecnologias também podem favorecer a ambos os lados: empresas e consumidores, especialmente porque somos uma sociedade que, segundo Alcoforado, não fala sobre dinheiro. “Como educar um consumidor que não está acostumado a falar de dinheiro (não sabe, por exemplo, quanto ganha seu cônjuge) e não está acostumando a pensar antes de comprar?

“O acesso à internet nos forneceu uma série de dados que antes não tínhamos. Antes não tínhamos as condições que temos hoje de negociar, por causa dos canais eletrônicos”, diz Erika. “Existem apps interessantes, não só de planejamento, mas que também têm objetivos. Ajudam o consumidor a te organizar sua vida financeira e oferecem o produto certo para a sua necessidade. Esse tipo de parceria vai ficar cada vez mais consolidado”, comenta.

“Eu acho essa troca maravilhosa. Ao mesmo tempo que os clientes passam as informações, seus dados, as empresas têm como direcionar suas ofertas. É um jogo de ganha-ganha”, completa Alcoforado.

Para Carlos Martins, no entanto, ainda falta aplicar na prática o total potencial dessas novas tecnologias. Ele lembrou outro aspecto importante: a questão de como os valores vão mudando ao longo do tempo, graças à educação. “Meus filhos hoje falam de ecologia com naturalidade. Educação financeira também precisa ser ensinada. Não precisa ter uma disciplina exclusiva, como não existe para ensinar ecologia. Mas os conceitos são ensinados e as crianças levam isso para suas casas”, conclui.






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