O Brasil precisa sair da “UTI”

Para o economista Eduardo Giannetti, estamos no limiar de um ponto de inflexão no país, onde uma economia que se encontrava na “UTI” pode voltar a normalidade

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O crescimento do consumo, outrora impulsionado pela concessão farta de crédito ficou para trás. A dura realidade agora é convivermos com inflação, recessão, desemprego e uma dívida pública de proporções temerosas.

Com a chegada de um novo presidente será que podemos vislumbrar novos caminhos para o crescimento sustentável da economia brasileira e a retomada da confiança de empresários e consumidores?

Eduardo Giannetti, um dos mais influentes e pensadores econômicos e filósofo do país, acredita que sim. “Essa nova fase ascende uma esperança que estava perdida”, afirma. Para Giannetti este pode ser o início de uma trajetória ascendente, onde empresários e consumidores encontram o mínimo de previsibilidade e rumo para novos investimentos. “Podemos estar no limiar de um ponto de inflexão. Onde uma economia que se encontrava na UTI pode voltar para uma sala de convalescência e mais adiante a normalidade”, analisa Giannetti.

Estancando a inadimplência

Podemos ser esperançosos também no “estancamento” da inadimplência? Giannetti acredita que dá sim, porém, ela terá um efeito “pedagógico” na sociedade. “Pessoas que nunca tinha lidado com a dívida descobriram que num país de juros muito alto, não é trivial você adquirir compromissos no futuro”, explica. Para o economista ficará o ensinamento de que pode haver “ciclos econômicos” que não sustentam uma geração de renda. “Sem dúvida nenhuma houve uma amadurecimento do consumidor”, diz.

No entanto Giannetti ressalta que a dívida é um “instrumento normal” da vida econômica. “Ela vai continuar sendo parte da nossa realidade, mas, de uma maneira mais madura e sustentável”, aponta.

Saindo da convalescência

Mas nessa sala de emergência quem se recuperará primeiro? Segundo Giannetti, a economia é um “sistema de vasos comunicantes”. Em sua análise, os setores que vão liderar essa reanimação e “irrigar” o restante da economia provavelmente serão as importações e os investimentos em infraestrutura. “Estes setores acabam transferindo renda, emprego e confiança para o resto da economia, que se recuperará de maneira acertada”, completa.

Superar uma dívida: virtude ou compromisso?

“As duas coisas!”, responde Giannetti.  Para o especialista, as pessoas fazem o que podem para evitar a dívida. “O que houve foi uma reversão das expectativas. Com desemprego e com queda de renda e consumo real, as pessoas foram pegas no contrapé”, explica.

De acordo com Giannetti, o primordial nesta fase é perceber que há uma “pedagogia implícita” nesse processo e um amadurecimento do consumidor brasileiro. “Muito possivelmente, veremos uma ascendência da economia. Onde consumo, crédito, investimentos e exportações se retroalimentam e, a partir disso, a economia brasileira poderá se reerguer”, conclui.






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