Idec revela juros de 919% ao ano em crédito para negativados

Mesmo diante de altos números de inadimplência, ainda é possível obter crédito com facilidade. Estudo do Idec traz informações inéditas sobre essa questão

Zadorozhnyi Viktor/Shutterstock

É de conhecimento público que, quando o tema é dinheiro, o momento do Brasil não é dos melhores. A inadimplência é uma prova viva disso e os consumidores não nos deixam mentir. Porém, o que nem todo mundo sabe é que, mesmo nessas circunstâncias, ainda é fácil obter crédito. E quem prova isso é o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por meio de uma pesquisa sobre práticas bancárias em ofertas de crédito. Realizado entre os dias 20 de março a 27 de abril, o estudo constatou a facilidade de se obter empréstimo (inclusive para consumidores endividados e inscritos em cadastro de restrição) sem burocracia e com a promessa de solução das dívidas.

Vinte instituições financeiras foram avaliadas e, a partir disso, foi possível concluir que a publicidade era abundante e estava presente nos sites das empresas ou mesmo nos estabelecimentos. Foram analisados alguns bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander, por exemplo) e financeiras independentes ou vinculadas a lojas de departamentos (BMG, Crefisa, Sorocred, Renner, C&A, Marisa, entre outras).

A propaganda da crise

Ione Amorim, economista do Idec e responsável pelo estudo, explica que “a comunicação é tão apelativa que, muitas vezes, no próprio ambiente de consumo, o consumidor pega o empréstimo e gasta ali mesmo”. Ela ressalta ainda que a prática não estimula o crédito responsável, uma vez que expõe o consumidor ao risco de superendividamento. “Sem informação e orientação é possível que o dinheiro, em vez de ajudar, piore ainda a mais situação financeira do endividado”, ressalta.

As altas taxas de juros também foram analisadas pelo estudo. Segundo informações do Banco Central, a média cobrada por 63 instituições do mercado é de 197,9% ao ano. Durante o levantamento, ficou constatado que a Crefisa aplicava um percentual de 21,35% ao mês, totalizando 919% em doze meses.

Mais problemas

O estudo ainda destaca a forte expansão do crédito consignado, o qual tem um efeito que não é precisamente identificado na apuração do índice oficial de inadimplência. “Sem poder evitar o desconto, o consumidor deixa de quitar contas como água, luz e alimentação, comprometendo sua qualidade de vida e potencializando a inadimplência”, finaliza Amorim.

Com a pesquisa, o Idec pretende orientar os consumidores sobre os riscos de aquisição de crédito pessoal oferecidos pelas instituições financeiras e apontar o alto grau de exposição ao endividamento; além da ausência de canais de atendimento por parte de tais instituições para tratar o problema.

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