Vendas de material de construção acumulam queda de 11%

De janeiro a maio, as vendas do varejo de material de construção segue em ritmo de queda. Desempenho mensal ficou praticamente estável

As vendas de material de construção caíram 11% no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo mostrou estudo da Anamaco (Anamaco Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção).

Em maio, frente abril, houve aumento de 1% nas vendas – mesmo desempenho se comparado a maio de 2015. Já nos últimos 12 meses, a queda acumulada é de 14%. Para o levantamento, a Anamaco ouviu 530 lojistas, das cinco regiões do país, entre os dias 25 e 31 de maio. A margem de erro é de 4,3%.

“Estamos passando por um momento de retomada de obras e de manutenção predial, mas de forma bastante irregular. O consumidor ainda não está 100% confiante para voltar a investir em reformas e novas obras, mas há a necessidade de readequar imóveis usados, ou porque estão à espera de novos inquilinos ou porque ficaram vazios”, explicou, em nota, Cláudio Conz, presidente da Anamaco.

“O número de divórcios e de casamentos também afeta o nosso setor diretamente e, nos últimos quatro anos eles têm crescido e batido recordes, mas ainda estamos enfrentando uma resistência do consumidor, que está preocupado com o atual cenário econômico e, portanto, está freando novos investimentos, principalmente em função dos estonteantes juros praticados pelo cheque especial dos bancos e pelos cartões de crédito, que estão acima da média de 12% ao mês, chegando a absurdos 700% ao ano em faturas atrasadas. As reformas estão acontecendo, mas não na escala necessária ”, completou.

Além disso, diz Conz, pesa também a instabilidade política do País, que afeta diretamente a disposição dos empresários de fazer investimentos. Mas há sinais de melhora: de acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados esperam que o mês de junho seja melhor do que maio, o que já reflete o aumento do grau de confiança no Governo, que subiu de 34% para 52% no período.

“O encaminhamento da solução política está afetando diretamente o setor. Apesar do Governo Federal ter anunciado cortes no programa Minha Casa Minha Vida, especialmente àqueles com faixa de renda familiar até R$1.800, a entrada de capitais estrangeiros nos primeiros cinco meses do ano foi muito superior ao mesmo período do ano passado. A expectativa é que novas medidas de liberação crédito comecem a irrigar as vendas no comércio nos próximos meses”, disse Conz.

Segundo o estudo, a região Norte apresentou a maior variação positiva no mês, de 11%, seguida pelo Nordeste (4%), Sudeste (3%) e Sul (2%). Já o Centro-Oeste apresentou variação negativa de 3%.

Diante desses resultados, a Associação está revendo a expectativa de crescimento em 2016 de 6% para 3%, sobre 2015.




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