Há cerca de 4,7 mil tentativas de fraudes por dia no país

Pesquisa da Serasa Experian revela número assustador. Confira quais são as principais fraudes cometidas contra o consumidor

Cranach/ Shutterstock

Não é raro acontecer: ao precisar fazer uma compra grande, um cadastro ou algo assim, vai lá o vendedor consultar o CPF do consumidor e descobre que ele está negativado. Espantado, o consumidor vai investigar o que houve e percebe que deu azar: foi mais uma vítima de fraude.

Infelizmente, os números sobre o assunto indicam que isso é menos raro do que gostaríamos. O indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraudes – Consumidor revelou que, em abril de 2016, 141.008 tentativas de fraude de identidade foram aplicadas no país. Ou seja: são cerca de 4,7 mil tentativas por dia, nas quais dados pessoais são usados por criminosos para firmar negócios sob falsidade ideológica ou mesmo obter crédito com a intenção de não honrar os pagamentos.

Do começo do ano para cá, já foram 587.518 tentativas de fraudes no Brasil. Pelo menos esse número é 11% menor do que em 2015, quando no mesmo período foram registradas 660.443 tentativas. Segundo os economistas da Serasa Experian, isso acontece porque com o atual cenário de desemprego e recessão econômica, é menor o número de pessoas no varejo ou buscando crédito, o que reduz automaticamente o número de potenciais alvos dos fraudadores na captura de informações.

No entanto, o número de tentativas de golpes aplicadas diariamente no Brasil ainda é bastante alto. De acordo com o indicador, o segmento de telefonia é o mais afetado pelas tentativas de fraudes (59.143 em abril). Isso significa que os dados pessoais dos consumidores são utilizados por terceiros para abertura de contas de celulares ou compra de aparelhos, por exemplo.

Um grave problema apontado é que, caso a fraude no segmento de telefonia seja bem sucedida, pode funcionar como uma “porta de entrada” para golpes de maior valor em outros setores da economia. Os golpistas costumam comprar telefones para gerarem um comprovante de residência e, assim, abrir contas em bancos. Daí, com talões de cheque, cartões de crédito e possibilidade de pegar empréstimos bancários, há um campo vasto para novos golpes.

Confira as principais tentativas de golpe apontadas pelo indicador:

•    Compra de celulares com documentos falsos ou roubados.

•    Emissão de cartões de crédito: o golpista solicita um cartão de crédito usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a “conta” para a vítima e o prejuízo para o emissor do cartão.

•    Financiamento de eletrônicos (Varejo): o golpista compra um bem eletrônico (TV, aparelho de som, celular etc.) usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a conta para a vítima.

•    Abertura de conta: golpista abre conta em um banco usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a “conta” para a vítima. Neste caso, toda a “cadeia” de produtos oferecidos (cartões, cheques, empréstimos pré-aprovados) potencializa possível prejuízo às vítimas, aos bancos e ao comércio.

•    Compra de automóveis: golpista compra o automóvel usando uma identificação falsa ou roubada, deixando a “conta” para a vítima. Aqui, vale lembrar que podem ocorrer também problemas relativos à segurança: um atropelamento noturno e o carro estar em nome da vítima pode ser uma dor de cabeça que exigirá muitos comprimidos para sarar.

•    Abertura de empresas: dados roubados também podem ser usados na abertura de empresas, que serviriam de ‘fachada’ para a aplicação de golpes no mercado.

Proteção

De acordo com estudos da Serasa, basta perder um documento pessoal para dobrar a probabilidade de o consumidor ser vítima de um golpe. Para se prevenir, quem teve seus documentos extraviados, além de fazer um Boletim de Ocorrência (B.O.), pode cadastrar um alerta gratuito na Serasa pelo link: www.serasaconsumidor.com.br/servicos-roubo-perda-de-documentos

Metodologia

O Indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraude – Consumidor é resultado do cruzamento de dois conjuntos de informações das bases de dados da Serasa Experian:
1) total de consultas de CPFs efetuadas mensalmente na Serasa Experian;
2) estimativa do risco de fraude, obtida através da aplicação dos modelos probabilísticos de detecção de fraudes desenvolvidos pela Serasa Experian, baseados em dados brasileiros e tecnologia Experian global já consolidada em outros países.

O Indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraudes – Consumidor é constituído pela multiplicação da quantidade de CPFs consultados (item 1) pela probabilidade de fraude (item 2).

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