O negócio de 26 bilhões de dólares

O que o negócio entre Linkedin e Microsoft anunciado ontem pode significar? Levantamos algumas possibilidades. Confira

Por: - 3 anos atrás

Darren415/ Shutterstock

Depois de ganhar fama de fazer maus negócios, a Microsoft anunciou ontem (13) uma compra que promete mudar isso: por US$ 26,2 bilhões, ela comprou o LinkedIn, rede social para contatos profissionais. Isso resulta em ações com o valor de US$ 196 cada.

O novo negócio certamente traz novamente à berlinda o nome da Microsoft, que já foi muito reconhecida pelos seus sistemas, mas ultimamente andou balançada. O Windows 10, último sistema operacional da empresa, ainda tenta ganhar seu lugar ao sol, o que só será possível se ficar provado que ele pode executar tarefas comuns tanto em computadores quanto em dispositivos móveis.

Há quem veja a compra como mais um erro da Microsoft. No entanto, há quem veja o negócio com mais otimismo. De acordo com matéria do The Wall Street Journal, traduzida no Valor Econômico, para Nadella trata-se da união da nuvem profissional com a rede profissional. Segundo a matéria, “uma conexão direta entre o Office e o LinkedIn pode, por exemplo, ajudar os participantes de uma reunião de trabalho a obter mais informações uns sobre os outros diretamente, por meio de convites gerados em suas agendas. E representantes de vendas usando o software Dynamics, da Microsoft, para gerenciar suas relações com clientes poderiam obter dicas úteis sobre eles a partir de dados do LinkedIn”.

O texto lembra ainda que a Microsoft também está de olho no Lynda.com, canal de vídeos de treinamento comprado pelo LinkedIn no ano passado.

Já um artigo da Forbes aponta outro detalhe importante, que poderia representar um ótimo motivo para a compra da rede. Além de ser uma mina de ouro para recrutadores de profissionais, o LinkedIn é uma empresa que produz conteúdo. Na verdade, é uma das mídias digitais mais influentes do mundo. Com a vantagem de ser especializada, atualizada constantemente e, diferente de outras redes sociais, frequentada por pessoas que tenham de fato interesse em ler os conteúdos.

O artigo apresenta números interessantes: o LinkedIn tem 433 milhões de usuários, dois novos membros se juntam a cada segundo e há 106 milhões de visitantes por mês, com 45 bilhões de page views somente nos primeiros três meses do ano. Mas os números sozinhos não têm importância. O autor aponta que o real valor do site é que ele é uma “plataforma de conteúdo onde executivos podem expandir sua rede de contatos, suas influências, conhecimento e a oportunidade de conseguir um emprego melhor produzindo conteúdo”.

E, ainda de acordo com o artigo da Forbes, depois da pornografia, apostas e compras, conteúdo ainda é o serviço de maior valor na internet. E o conteúdo do LinkedIn, que as pessoas querem de fato ler, pode, no futuro, ser pago.

Outros detalhes que merecem ser observados: o Office, pacote de programas para escritório da Microsoft, é usado por mais de 1,2 bilhão de clientes. Além disso, o LinkedIn pode funcionar em conjunto com o Skype, um dos pioneiros no serviço de mensagem e ligações por internet. Enfim, esperar para ver.

Em relação às posições executivas após o negócio, o atual presidente do LinkedIn, Jeff Weiner, continuará à frente da empresa, reportando-se diretamente ao atual diretor-presidente da Microsoft, Satya Nadella. A transição também receberá o apoio de Reid Hoffman, presidente do conselho, cofundador e sócio controlador do LinkedIn.