Música em qualquer hora e em qualquer lugar

Daniel Ek, fundador do Spotify, fala sobre sua visão de como vamos escutar música

Por: - 3 anos atrás

Fotos: Jacques Meir

Cannes, França – “Uma fábrica de cultura. É sobre isso que estamos falando quando o assunto é o Spotify.” Daniel Ek, fundador e CEO da plataforma de streaming de música mais famosa do mundo, participou de um pinga-fogo com Mark Reid, CEO Global da Wunderman, e revelou sua visão do negócio da música e do entretenimento no Cannes Lions. Não há dúvidas quanto ao fato da influência poderosa exercida pelo app na indústria da música atualmente.

A música ficou mais democrática, mais acessível para quem ouve e para quem cria. “Temos dois milhões de artistas performando no Spotify. Em um mundo onde havia produção física, era muito caro produzir um álbum. Hoje temos milhares de faixas distribuídas no Spotify todos os dias.”

O CEO da plataforma destacou que as mudanças no mercado de música e entretenimento são visíveis. Há artistas mais inteligentes, que São multicanais e têm suas próprias redes sociais. Uma marca de alcance global, que em dado momento, no palco informal do Innovation (veja fotos) revelou uma fragilidade:
“Não está disponível na Romênia!”, disse um espectador. E Daniel Ek se comprometeu a levar a operação para lá também…

Mark Reid, da Wunderman, então questionou Daniel sobre como a plataforma está aberta para novos artistas. A resposta foi significativa: “temos 8 mil artistas que podem ser descobertos na plataforma, com quem as pessoas podem se engajar.”

E casos como o da cantora Taylor Swift que está fora da plataforma? Por que isso acontece? Daniel explicou que a questão sobre que envolve a indústria da música é que 40% da oferta vendida ainda acontece por meio físico. Ou seja, apesar do streaming ser o futuro inescapável, ainda há uma parcela significativa de venda de música em meios físicos.

Mas os números das vendas físicas caem ano após ano, como mostram as estatísticas. Logo, esse cenário não é sustentável e será inevitável que a maior parte dos artistas e músicos esteja nas plataformas de streaming. Durante 70 anos, os artistas receberam com base no modelo físico, mas no streaming o modelo de remuneração é completamente diferente. As métricas mudaram – são diversas, incluindo procura, acessos, desistências, playlists, distribuição regional, preferências, entre outras – e causam reações.

Mark Reid disse que o Spotify registra o mesmo fenômeno verificado com  no You Tube e na Amazon, novos artistas usaram essas ferramentas para publicar vídeos ou livros e agora, música. Daniel destacou que “há uma série de ferramentas que permite aos artistas divulgarem seu trabalho. Nós estamos querendo aprimorar a experiência de ouvir e ajudar artistas e a audiência a se aproximarem. Temos editores de música que se dedicam a ouvir música ao redor do mundo, para fazer a curadoria.”

Nada mal para uma empresa com apenas 10 anos e que já registra índices de fidelidade espantosos. O cliente médio do Spotify escuta música por cerca de duas horas a cada dia. Dessa forma, a plataforma entra de modo complementar à dualidade “vídeo, vídeo, vídeo – data, data, data” que domina a cena digital. “A coisa mais poderosa para mim, é que temos um supercomputador que anda no bolso. E que faz você ouvir música a qualquer hora e complementar a sua experiência e atividade no Facebook e em outras redes sociais.”

Uma parcela significativa dos clientes do Spotify não assina o serviço pago. É isso permite então que sejam impactados pela publicidade. O CEO do app destacou as diversas formas de atividade publicitária que a plataforma oferece. É possível impulsionar ações locais e oferecer inúmeras possibilidades na plataforma que permitem atingir às pessoas criativamente com resultados até 5 vezes superiores àqueles registrados pela publicidade normal.

“Os dados que geramos são espetaculares. É simples para nós saber qual música combina com qual propaganda.”, lembra Daniel. Sobre ele diz que hoje sua grande motivação é ver os contextos que se ligam à música que ouvimos e existirem artistas associados a esse contexto. “Por que nós sabemos quem são os fãs e onde eles estão, podemos realmente ajudar os artistas a estabelecerem relacionamentos mais efetivos com eles.”, complementou.

E o futuro sob uma perspectiva financeira: IPO, investimentos? O CEO do Spotify ressaltou a visão da empresa: “queremos mudar a maneira pela qual as pessoas ouvem música e se engajam com ela. O consumo de música mudou completamente. E são momentos diferentes que hoje estão disponíveis para consumo de música. Há sempre uma trilha sonora para cada pessoa. Ou seja, trazemos mais musicas para mais momentos da vida das pessoas.”

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão.