A profissionalização do negócio traz inovação para a gestão

Players de empresas familiares confirmam: a governança traz desafios, mas é um processo muito enriquecedor para a organização e seus colaboradores

Easy/ reprodução

 

A profissionalização dos negócios é um tema extremamente relevante no Brasil – principalmente considerando a estrutura das empresas nacionais, que, em muitos casos, são familiares e carregam uma grande taxa de crescimento. Essa é visão de Flávia Takey, diretora da The Boston Consulting Group (BCG) e mediadora do painel “Ganhando o jogo do crescimento: a profissionalização do negócio fazendo a diferença na linha final”, do BR Week 2016.

 

A consultoria da executiva já elaborou diversos estudos nesse sentido em países desenvolvidos e emergentes, o que levou Takey a uma conclusão interessante: “as empresas familiares são melhores sucedidas nos países em desenvolvimento. Elas crescem duas vezes mais rápido e têm 50% a mais de lucro se comparamos os mercados”, explica. Além disso, não existe uma “receita de bolo” para essas organizações, elas experimentam e se desenvolvem como é possível, deixando o mercado recheado de modelos diferentes.

 

O Sonda Supermercados, por exemplos, tem uma estrutura que José Barral, presidente do grupo, considera híbrida. Por mais que existam dois sócios, a empresa vem tentando se modernizar, criando uma “gestão compartilhada”. “Os funcionários podem viver junto com os fundadores, é uma situação desafiadora, mas que tem dado muito certo”, explica.

 

Os desafios para implementar a governança corporativa é uma percepção abrangente. Altino Cristofoletti Junior, sócio-fundador da Casa do Construtor, lembra como a elaboração de um negócio cria laços com seus idealizadores. “Quando criamos algo que dá certo e gera bons resultados, aquilo é como um filho. Com o tempo vai gerando experiências e crenças. Quando chega a segunda geração, trabalhar esses paradigmas para mudar o panorama da empresa é o maior desafio hoje”.

 

A equipe

Alessandra Restaino, diretora da Le Postiche, destaca a importância das pessoas que cresceram com a empresa. No seu caso, por exemplo, ela e a irmã são reminiscentes no negócio e os demais membros são todos profissionais do mercado que, muitas vezes, estão lá há muito tempo. “Uma empresa que tem donos, mas as pessoas estão próximas deles, tem uma troca muito positiva. Hoje, trabalhamos muito com meritocracia, uma forma de garantir a retenção dos talentos e seguir adiante mesmo com a crise”, aponta.

 

Barral conta que o Sonda mantém algumas ações para manter os colaboradores perto dos líderes, como o Café com o Presidente. Na ocasião, aproximadamente 40 pessoas de diversas unidades se reúnem com os gestores para trocar ideias, apontar insatisfações, fazer elogios e conhecer a sala do presidente – onde fica um quadro com fotos de todos os cafés que já foram realizados na empresa. “Isso mostra para nossa equipe a importância daquilo para que eles se sintam realmente parte da empresa”, complementa.

 

Cuidado

Altino recorda a importância de os donos de um determinado negócio terem consciência sobre o fato de que podem – e existem – pessoas melhores e mais qualificadas para tocar a empresa. “Acho que esse é um grande dilema: quem construiu também que aprender a passar”, define. Ao mesmo tempo, lembra como é complicado manter colaboradores que estão na empresa há tanto tempo e trazer pessoas “de fora”. “Temos profissionais que estão com a gente desde o início, isso gera uma relação de afinidade. É preciso trabalhar para que a equipe aceite essa mudança, ajudando ela a trabalhar nesse momento”.

 

Nesse sentido, Barral complementa que os novos profissionais que adentrarão uma empresa com uma estrutura familiar ou híbrida precisam respeitar as pessoas que já estão lá e fazem parte do processo. “O empreendedor nunca pode deixar de sonhar com o crescimento dele. E o executivo que vai trabalhar nessa empresa tem que ter consciência de que quem fez a empresa chegar onde chegou foi quem está lá, ele não vai conseguir chegar e fazer uma empresa nova”, destaca.

 

Na Le Postiche, o quadro é o mesmo. “Estamos caminhando para uma profissionalização cada vez maior então esperamos que as pessoas estejam preparadas, aceitem isso. Porque uma empresa familiar tem um jeitão imóvel de fazer as coisas e é preciso se adaptar, ouvir novas propostas”, conta. “A família ainda está na gestão, mas entendemos que naturalmente vamos saindo, talvez para o conselho. É um processo que se constrói, a empresa vai criando maturidade”, finaliza.

 






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