Como as transformações do mundo afetam o varejo

O que as novas tecnologias e as transformações dos consumidores têm a ver com seus negócios? Debate no BR Week abordou o tema

O mundo está mudando. Os consumidores também. Assim, os negócios precisam mudar. A tecnologia é grande responsável por isso. Durante o painel “Transformação inevitável: como escolher a tecnologia mais adequada para acompanhar a evolução do consumidor digital”, Marcelo Raducziner, client principal director Hewlett Packard Enterprise, Marcos Bertoncelo, CIO da Wickbold, Francisco Forbes, CEO e Founder da Seed Digital, e Marcelo Coutinho, Coordenador do Mestrado Profissional em Administração da FGV/ EAESP debateram como isso afeta as empresas.

Marcos Bertoncelo contou como a Wickbold, então empresa familiar, está passando pelo processo de profissionalização. A família entra no conselho e um board assume a administração. Este processo vem desde 2014.

“No momento um dos maiores cuidados foi com a essência, os valores da empresa. Aquela administração pessoal, mais próxima, paternalista, foi uma preocupação e ponto chave. Com a mesma importância, houve a preocupação na evolução da gestão de planejamento, para atender demanda de mercado”, explica o executivo.

Marcelo Coutinho lembra como, além do desafio da transformação interna da empresa, tem o desafio da transformação externa do consumidor, em ritmo acelerado. “O grande problema é separar relações de causa e efeito entre questões que tenham a ver com a transformação interna ou que tenham a ver com seu consumidor”, alerta.

Para ele, dizer que os dados são o novo petróleo faz sentido, mas precisa lembrar que não é o petróleo que gera riqueza, mas o refino. “O desafio é, dada a massa de volume de dados capturados, como transformá-los em informação que tenha valor de negócios? E, nessas transformações, tem que tomar cuidado para não se afogar em dados sem metas claras de onde quer chegar”, continua.

“São vários processos acontecendo. Tecnologias novas surgindo. E uma questão é como priorizar, como escolher entre tecnologia A ou B. Ambas podem ser interessantes, mas se não tem um parceiro preparado, talvez não seja interessante”, diz Marcelo Raducziner. Ele, então, questiona como é possível decidir entre essas tecnologias diferentes.

Francisco Forbes aponta também para a importância de, no momento atual, estar em contato direto com o consumidor, mesmo quem não vende diretamente para ele. E aponta como o digital pode ajudar nesse sentido. “Você não tem uma relação pessoal, mas tem mais informações. Não é preciso ter um e-commece, mas ter um site onde o consumidor possa interagir com você, é bem importante”, completa.

Disputa

Outro tema abordado por Marcelo Coutinho é uma possível disputa entre o varejista e o fabricante do produto pelos dados do consumidor. Isso pode não ser bom para ninguém, principalmente para o cliente. “É importante os dois lados entenderem que, o cara que vai comprar um produto X no supermercado Y é o mesmo. É para ele que devem trabalhar os dados”, diz o professor.

Além disso, para ele, é preciso parar de separar o consumidor digital do consumidor real. “Eu não vivo na matrix, vivo no mundo sólido. Como você junta esse Marcelo Coutinho – que eu não sei quem é, sei de um token, um ID com uma sequência de números – como eu junto com o Marcelo que vai à loja e recebe alguma ação? A única maneira de rentabilizar é entender que são o mesmo”, afirma.

Todos concordam, então, que as ferramentas de análise de dados são fundamentais no sentido de juntar o online e o off-line, para atender a esse consumidor que está em transformação. Até porque, não necessariamente uma quantidade enorme de informações ajuda a decidir. É importante atentar, também, para o timing do negócio.

“A questão é, daquele conjunto de informações e dados, qual eu preciso para tomar a decisão? No analytics há dados que ajudam a identificar tendências, e agir de forma preditiva”, conclui Marcelo Raducziner.




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS