O corte de custos não precisa matar o negócio

Algumas atitudes podem ajudar as empresas a reverem os custos da operação, reduzindo os valores sem precisar reduzir a qualidade do produto

Cortar custos é um assunto delicado, sempre. E foi tema de uma apresentação no BR Week, hoje. Apesar do título do painel ser “Coloque o seu negócio na dieta: enxugar excessos para aumentar resultados”, Fernando Aguirre, sócio-líder de serviços compartilhados e ousourcing KPMG, começou sua palestra apresentando um título alternativo que fez muito sentido: “Redução de custos, ainda faz sentido discutir”?

“Na nossa experiência, normalmente cliente que precisa reduzir custo não compra consultoria. Sai cortando da maneira que melhor entende. Cortar o cafezinho, mandar o quadro embora é sobrevivência, não é cortar custo, porque a forma de pensar continua a mesma, não se pensa a causa raiz”, explica Aguirre.

Ele conta que, a cada dois anos, a KPMG realiza uma pesquisa global chamada “Repensando as estruturas de custo”. Os números revelam que mais de 50% das empresas não atingem nem 70% do que elas desenharam como objetivo de redução de custos. “Isso porque as estratégias de redução falham, a empresa focada em receita esquece o custo, perde a disciplina da eficiência. É preciso ter responsabilidade clara por um programa desses, senão ele se perde no tempo, com estratégias tímidas. Evita-se aqueles debates difíceis, de rever o modelo de negócios”, alerta o especialista.

Aguirre apontou algumas barreiras para a redução de custo:
1)    Processos inadequados para direcionar, não existe estrutura que permita reduzir custo de forma constante;
2)    Não existe transparência nas informações;
3)    Muita confiança para evitar custos, ao invés de eficiência de custos. Achar que deixar de gastar resolve;
4)    Muitos projetos conflitantes.

Cada área da empresa apresenta uma metodologia para cortar custos. Mas, em todas elas, é preciso entender que estamos em um novo mundo. É preciso ter em mente que não dá para ser eficiente em custos sem ter qualidade. “O pior caminho é deixar de ter qualidade de produto, de serviço e de experiência positiva para o meu cliente. Ele não volta se a experiência não for boa”, diz Aguirre.

Um ponto positivo é que os novos modelos de negócios facilitam. A economia compartilhada, por exemplo, garante aproximação de oferta e demanda para reduzir custos. Plataformas de serviços viabilizam aproximação da oferta e demanda. A Competitividade – relação com consumidor e entre pares – muda, porque as empresas entendem que não é possível ser bom em tudo. “Para entregar a experiência final, é preciso compor e buscar parceiros, fornecedores, empresas de serviço que completam o que a gente chama de ecossistema. Vale rever o modelo. No que eu sou bom?”, explica.

Automação

Um grande fator que auxiliaria a redução de custos é a automação dos processos. Existem tecnologias e modelos transformadores para conseguir um bom nível de ganho. Ele aponta, inclusive, que já existem alguns cases no Brasil, ainda que embrionários. “A tendência é a troca de mão de obra por robô, pelo menos 1/3. Aquela parte que é repetitiva. Os outros 2/3 vão mudar, porque surgirão novas profissões”, explica.

Uma grande vantagem da automação, segundo Fernando Aguirre, é a possibilidade de colocar foco no core, no real objetivo e eficiência de toda a operação, ao colocar no automático tudo o que é repetitivo. “Um exemplo que roda no Varejo – já existe no Brasil – é automação do processo de recebimento. Há, também, projetos de automação de centrais de atendimentos. Isso inclusive geraria mais qualidade de atendimento, já que as respostas automáticas seriam mais rápidas. Programas de redução de custo normalmente 15 a 30% de redução. Automação, 40 a 75% de redução de custo na operação”, conclui.






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