Saraiva abre guerra contra investidor coreano

O grupo GWI Asset Management, maior investidor minoritário, questionou a solidez da empresa e agora Saraiva pede destituição do investidor. GWI não se manifestou

A GWI Asset Management, do coreano Mu Hak You, passou dos limites, na avaliação dos controladores da Saraiva. Paulatinamente, ele foi comprando ações da empresa e chegou neste ano a acumular cerca de 40% das ações preferenciais – aquelas que não dão direito a voto, porém garantiu ao coreano uma cadeira no conselho de Administração da livraria e a indicação da advogada Ana Recart ao conselho fiscal e Karen Guimarães, como suplente.

Tudo poderia acabar por aí, mas o coreano e Ana Recart visitaram o escritório da companhia em pleno feriado de Corpus Christi, no dia 27 de maio, e mexeram em papeis, como mostraram as câmeras internas. Os controladores da empresa consideraram a visita uma invasão.

“Como se vê no vídeo feito pelo sistema interno de câmeras de segurança, eles circularam livremente na sede da Companhia, entraram nas salas dos diretores, mexeram livremente em documentos, fizeram anotações e podem ter feito até mesmo fotos de documentos da Companhia”, disse a Saraiva na representação.

Como se não bastasse isso, começou a questionar a solidez da companhia e convocou o conselho para discutir, segundo o investidor, medidas para “mitigar a possibilidade iminente de insolvência”. O problema é que a empresa provou, por A mais B, que estava bem longe da insolvência.

No primeiro trimestre deste ano, a Saraiva conseguiu reverter o prejuízo de R$ 9 milhões registrados no primeiro trimestre do ano passado para um lucro de R$ 300 mil nos primeiros três meses deste ano, segundo informou a varejista. O e-commerce da marca se mantém forte e apresentou vendas líquidas 2,9% maiores na relação ano a ano. As vendas nas lojas subiram 0,5% na mesma base comparativa.

“O primeiro trimestre do ano, apesar da persistência de um cenário econômico recessivo e complexo, mostrou novamente a resiliência do nosso modelo de negócios e a força da marca Saraiva”, disse a empresa em relatório de resultados.

Por meio de uma decisão judicial, a Saraiva conseguiu suspender a Assembleia Geral Extraordinária convocado pelo GWI, que aconteceria no dia 6 de julho.

A empresa, ainda, comunicou ao mercado que entrou com uma representação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) contra o investidor. Por meio de seus advogados, pede a investigação por indícios de violação de deveres, abuso de direito de acionistas e outras infrações.

“A atuação dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal da Saraiva indicados pelo Grupo GWI está envolta de controvérsias, suficientes para que se questione se agem no interesse da Companhia ou no interesse exclusivo dos acionistas que os elegeram”, disse a empresa na representação.

A empresa chega a pedir ainda investigação contra o investidor por insider trading, quando o investidor tem e usa a seu favor informações internas da empresa.

Ontem, a empresa comunicou que o Conselho de Administração deliberou, em reunião extraordinária realizada em 1º de julho, a convocação de Assembleia Geral Extraordinária da Saraiva para debater e deliberar sobre a destituição do Sr. Mu Hak You do cargo de conselheiro da Companhia; a destituição da Sra. Ana Maria Loureiro Recart do cargo de membro do Conselho Fiscal da Companhia; e a a suspensão de direitos da GWI.

Consultada por NOVAREJO, a GWI, por meio de sua assessoria, disse que a empresa não pode se manifestar sobre o assunto.

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