Tem pelo de rato na sua macarronada (e a Anvisa sabe disso)

É tolerada a presença de um único pelo de roedor em cada 100g de produtos derivados de tomate. A Heinz ultrapassou a quantidade permitida

Por: - 3 anos atrás

Studio10Artur/Shutterstock

A Heinz está envolvida em mais uma triste polêmica. Um lote de extrato de tomate da marca foi retirada do mercado, justamente por causa da presença de pelo de roedor. No dia 15 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento no mercado do lote L06 do extrato de tomate da marca, fabricado em Goiás. A validade ia até abril de 2017.

A polêmica, porém, não termina aí. A decisão de recolhimento foi tomada com base na resolução RDC 14/2014, que define limites maiores de tolerância para matérias estranhas em alimentos e bebidas. É nesse ponto que ficamos em choque. De acordo com essa determinação, para produtos derivados de tomate, é tolerado um fragmento de pelos de roedor em 100g; em canela em pó, 1 em 50g; e em chocolate e produtos achocolatados, 1 em 100g. Ou seja, havia mais de um pelo no produto da Heinz.

A coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, comenta que a Associação já havia feito testes anteriores em produtos Heinz e havia encontrado problemas, mesmo quando os critérios de avaliação não eram tão rígidos. “A Anvisa não permitia nenhuma quantidade de pelos, antigamente”, comenta. “Depois, essa norma foi flexibilizada”. A Proteste, é claro, é contra a mudança.

Lembrança

Não faz muito tempo e você deve se lembrar de quando a Proteste, em uma de suas análises, encontrou três pelos de roedor em uma amostra de 100 gramas de ketchup Heinz, importado do Méximo. O fato ocorreu em 2013. O produto, um pote de 397 gramas do lote 2C30, foi adquirido em dezembro de 2012 em um mercado de São Bernardo do Campo.

Em 2012, a Associação também detectou a presença de pelo de roedor em três amostras de uvas passas e castanha do Pará sem casca, em teste com produtos adquiridos em São Paulo. E em testes de ketchup e molho de tomate, realizados em anos anteriores, o problema também foi detectado.

É preciso mudar

Para Maria Ines, é inaceitável que haja uma tolerância nesse sentido. “Os roedores são transmissores de doenças e essa flexibilização, de acordo com o entendimento da Proteste, traz um dano ao consumidor”, defende.

A presença de pelo de roedor (rato, ratazana e camundongo) nos alimentos evidencia grave falha na implementação das boas práticas de fabricação e, é claro, a Proteste foi favor1911ável ao recolhimento do lote em questão. Porém, isso não diminui o fato de que a flexibilização é uma má ideia. “O consumidor pode ser prejudicado”, conclui.