Afinal, há igualdade no acesso a posições de liderança?

O estudo Ketchum Leadership Communication Monitor 2016 traça um retrato interessante de como os brasileiros se sentem quando o assunto é liderança

Por: - 3 anos atrás

Giulio_Fornasar/ Shutterstock

Homens e mulheres são iguais na liderança? Mais do que isso, eles têm o mesmo acesso a cargos importantes? Essas e outras questões foram levantadas no Ketchum Leadership Communication Monitor 2016. A quinta edição do estudo revela uma profunda desigualdade mundial nas oportunidades para alcançar posição de liderança.

E não é só o gênero que define isso. As barreiras encontradas – que impedem a pessoa de virar um líder –, segundo os 3 mil entrevistados de 10 países dos 5 continentes, incluem também raça, deficiência e orientação sexual. No infográfico abaixo, dá para ver como os brasileiros se sentem com relação a essas barreiras.

Homens x Mulheres

A pesquisa mostra que os participantes têm mais confiança em homens para liderar nos próximos cinco anos, embora as mulheres tenham tido um desempenho melhor em três dos cinco principais atributos vistos como fundamentais para uma boa liderança (ver infográfico). No Brasil, 58% dos entrevistados têm mais confiança nos líderes masculinos e 42% em líderes femininas, diferença que aumentou consideravelmente na comparação com 2015, quando o resultado praticamente se igualou (51% homens x 49% mulheres).

O KLCM também revela que os líderes atuais continuam não atendendo às expectativas da população em termos de liderança e comunicação. Apenas 23% dos participantes no total e 28% dos brasileiros acreditam que os líderes agem de forma. O nível de confiança também caiu. Neste ano, 41% dos brasileiros disseram confiar menos nos líderes de uma forma geral. Em 2015, esse índice era de 32%.

Crise na liderança política

Por conta de todo o momento político que vivemos nos últimos anos, os dados comprovam que há uma crise política. Os dados comprovam: somente 16% dos brasileiros acreditam que os políticos têm liderado de forma eficaz, número que caiu 7% em relação ao ano passado. Globalmente, apenas uma entre cinco pessoas (22%) aprova a liderança dos políticos.

Mas é interessante notar que, apesar de confiarem menos nos líderes políticos, a maior parte dos brasileiros (63%) acredita que é por meio da atuação política que dá para diminuir a desigualdade nas posições de liderança. Na média global, a maioria dos participantes respondeu ações das próprias empresas (53%) e responsabilidade individual (51%). O quesito Novas leis e legislações ficou em terceiro lugar, com 48%, o que coloca os políticos mais como parte do problema do que como solução.

Hábitos de compra impactados pela liderança

Quando o assunto é compra, os brasileiros são muito mais influenciados por comportamentos que impactam na liderança das empresas do que consumidores de outros países. A KLCM 2016 revelou que 83% dos brasileiros pararam de comprar ou compraram menos produtos e serviços de companhias que apresentaram características negativas de liderança. No âmbito global da pesquisa, apenas 65% disseram ter tido a mesma atitude.

Já, 72% dos participantes no Brasil passaram a comprar mais ou pela primeira vez de empresas conhecidas por sua liderança eficaz, número bem superior ao obtido globalmente (47%). Para 58% dos brasileiros, a liderança deve vir da empresa no geral e de todos os seus funcionários. Apenas 20% acreditam que ela seja determinada somente pelo CEO.

Infográfico: Fernanda Pelinzon

Infográfico: Fernanda Pelinzon