Em 2016, varejo deve perder 230 mil vagas de emprego

Projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo foi revisada, mas ainda prevê o pior resultado do setor em mais de dez anos

Em 2016, o saldo entre admissões e demissões, no varejo, deverá ficar negativo em 230 mil vagas de trabalho. É o que aponta previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada hoje (29). Confirmada essa projeção, a força de trabalho no setor encolherá 3%, o pior resultado em mais de uma década.

O resultado é desfavorável, mas passou por revisão da entidade: em maio, esperava-se que o saldo deste ano fosse de -279 mil vagas no comércio. Sua análise baseada nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho verificou que, na comparação mensal, houve uma redução no saldo entre admitidos e demitidos no varejo: -27,9 em junho ante -15,2 mil em julho. Além disso, a quantidade de trabalhadores do setor demitidos em julho (250,6 mil) foi a menor desde 2009, quando o total foi de 239,5 mil.

“A confiança do comércio tem aumentado nos últimos meses, mas ela ainda evidencia um pessimismo no setor. Essa confiança é o principal obstáculo à retomada das contratações e só vai se recuperar realmente quando os fatores que afetam o consumo, como o acesso ao crédito, por exemplo, se combinarem de forma mais favorável”, aponta Fabio Bentes, economista da CNC.

Os setores que mais sentem

Os dados da CNC apontam que, nos últimos 12 meses, 3,52 milhões de pessoas foram desligadas – o menor nível desde dezembro de 2010, quando foram 3,5 milhões. O ranking da queda de emprego no varejo é liderado pelos ramos de móveis e eletrodomésticos (-9,1%), livrarias e papelarias (-6%) e comércio automotivo (-5,9%). Esses segmentos também são os que mais se destacam negativamente em termos de volume de vendas: respectivamente -15,7%, -15,5% e -17,1%.

Já em números absolutos, o maior destaque negativo é o segmento de vestuário e calçados, com redução de 59,9 mil vagas. Responsável por 13% da força de trabalho no varejo, esse setor registrou, nos últimos 12 meses, queda de 11,3% no volume de vendas.
Ao mesmo tempo, os segmentos de hiper e supermercados e de farmácias e perfumarias ainda têm gerado vagas nos últimos meses (7,5mil e 13,6 mil postos, respectivamente).

Comportamento regional

Das 27 unidades da Federação, 26 registraram retração no número de vagas nos últimos 12 meses. Roraima foi a única exceção. Em termos relativos, destacam-se as taxas negativas no Amapá (-6,4%), Acre (-5%) e no Distrito Federal (-4,9%). Em números absolutos, os três estados no topo da lista são do Sudeste: São Paulo (-68,9 mil), Minas Gerais (-21,7 mil) e Rio de Janeiro (-21,6 mil), representando 49% do saldo negativo acumulado nos últimos 12 meses.






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