Um banco feito para os millennials

O Banco Neon nasceu da frustração de seus criadores com os serviços financeiros tradicionais e o foco de sua estratégia é o empoderamento dos clientes

Fernando Zuanon

Durante o 14º Conarec, o maior congresso de relacionamento entre empresa cliente, o público pode conhecer um pouco sobre a trajetória de um banco feito especialmente para os millennials. Mas não pense que é um serviço financeiro para uma determinada uma faixa etária. Trata-se de uma ideia que incorpora a todos.

Esse é o Banco Neon, uma empresa totalmente digital com uma proposta simples: ser o serviço financeiro que as pessoas – principalmente os jovens – buscam. “Em cada mínimo detalhe da nossa interação, deixamos claro que somos um banco de gente como a gente feito para gente como a gente”, destaca Pedro Conrade, CEO da organização.

Na visão do empreendedor, a startup nasceu com um grupo de jovens que almejava fazer algo diferente. “Estamos falando de um público que é diferente e eu não quero cair no clichê de falar sobre Millennials porque Millennials somos eu, você, público enorme. Não é um perfil, são vários”, enfatiza. Essa é uma geração composta por pessoas que, enquanto algo novo está aparecendo no mercado, elas já estão experimentando e postando tutoriais de dicas. Como adequar antigos modelos de negócio a esses novos consumidores?

A ideia da empresa surgiu quando Conrade teve um experiência muito ruim com seu banco: passar R$ 1,68 do seu limite sem perceber causou a cobrança de altas taxas e juros enormes. “Em nenhum momento eu fui avisado das regras. Quando esse tipo de coisa acontece, você quebra aquele cristalzinho de confiança com o cliente e acabou”.

Assim, a intenção do Neon nada mais é que os clientes sejam empoderados com relação a sua situação financeira, com acesso a todos os seus gastos de maneira detalhada por meio de uma conta digital sem mensalidade, sem taxa de emissão de cartão. Atualmente, são mais de 20 mil clientes – sem nenhum tipo de ação de marketing.

Conrade chama a atenção para o fato de que não serão apenas os serviços financeiros que precisarão mudar, todos os setores precisam se preparar para passar por readequações. “Uma crença que temos é que o business de tarifas vai morrer, principalmente para o público B2C. Os serviços precisarão ser de graça e terão que funcionar. A palavra da vez é: colaborativo”, explica. Hoje, os jovens não são ligados a posses, o status não faz sentido. Fora isso, o jovem CEO entende que os tempos estão tão dinâmicos que não será mais possível definir gerações ou clusters: é preciso entender cada cliente em sua individualidade para as estratégias darem certo.

Novo ângulo

“Não adianta eu esperar que o meu cliente fale com o 0800 quando tem um problema. Não adianta se esforçar para que ele esteja onde você quer, a empresa precisa estar onde o consumidor deseja. E ele está no WhatsApp, no e-mail, no Snapchat”, provoca o criador do Banco Neon. “Se uma pessoa mandar uma dúvida às duas da manhã no Snapchat e você responder, aquele usuário vai se identificar com a marca de tal modo que não existe dinheiro no mundo que garanta. Quantas campanhas de desconto são necessárias para trazer um cliente de volta?”, questiona. É a experiência de uso que muda.

Para garantir a personalização, a empresa analisa a vida financeira dos clientes e já chegou a recusar propostas de parcerias de empresas de cartão de crédito. Por um motivo simples: o maior motivo de inadimplência do público jovem brasileiro é o cartão de crédito.

“Você trabalha para o seu banco ou o seu banco trabalha para você? Nós queremos inverter essa relação de verdade. A coisa mais valiosa que temos na empresa são os nossos clientes e queremos tratá-los como jóias”, finaliza Conrade.






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