Descubra como é a vida de uma vegetariana em São Paulo

A repórter da Consumidor Moderno (que já foi vegetariana) ficará sem comer carne durante os próximos dias. Acompanhe para saber se será para sempre

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Fui vegetariana por três anos. Tudo começou pacificamente: chorei em frente a um prato de picanha sangrando e, daquele momento em diante, nunca mais quis saber de carne. Fui parando aos poucos: primeiro, o porco; depois, o boi; em seguida, o frango e o peixe. Os outros animais nunca tive o hábito de comer.

Foram três ótimos anos de alimentação sem crueldade. Aprendi a cozinhar delicias sem carne, descobri locais ótimos em São Paulo (como o sempre recomendado Apfel, do Carlinhos Beutel, uma figura paulistana.

A verdade é que a vida do vegetariano envolve questões que não estão necessariamente ligadas à carne. E posso confessar sem a menor vergonha que não é fácil encontrar opções nessa cidade tão hostil. Temos, é claro, algumas opções incríveis e naturais, mas, de uma maneira geral, a alimentação vegetariana é cara e rara.

Três anos depois, recebi um diagnóstico de depressão leve e ansiedade – nada relacionado à alimentação. Ao contrário do que muitos podem imaginar, minha saúde ficou ótima enquanto vivia uma rotina de alimentação sem crueldade.

Mas, algum tempo depois, com esse diagnóstico e mais algumas vontades na alma, decidi que diria sim para aquilo que quisesse, contanto que não fizesse mal, obviamente. Curiosamente, logo nesse momento tive vontade justamente de comer salmão. E comi. Depois, quis comer frango… e comi. Com o boi e o porco não foi diferente. Sou, portanto, uma espécie rara: uma ex-vegetariana. Que coisa triste de se dizer, não? Eu acho.

A verdade é que eu sinto falta da alimentação sem carne. Tenho preguiça (que vergonha!) de cozinhar, de buscar opções que não sejam o tão fácil e acessível frango grelhado na hora do almoço. Mas, apesar disso, considero que dei um passo para trás na minha vida quando voltei a precisar de seres vivos na minha alimentação.

Todo esse contexto nos leva ao seguinte ponto: vou tentar voltar. E levarei a Consumidor Moderno nessa brincadeira, começando hoje. Adeus às picanhas, aos peixes, aos kibes, ao frango-grelhado-fitness. Durante quinze dias (que podem se transformar em 30 dias), estarei em um contrato vegetariano e contarei a vocês o que mudará na minha vida.

PS.: é importante ressaltar que, como organismos são diferentes e nem todos se adaptam a todas as dietas, nada é mais recomendável do que procurar uma nutricionista, acompanhar a própria saúde e estar atento à qualidade da sua própria vida. 






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