Você sofre de frustração profissional?

Os sintomas vão desde desânimo, desmotivação e falta de vontade de ir ao trabalho, até estresse e depressão; saiba como fugir dessa situação

Por: - 2 anos atrás

Quem nunca, em algum momento da vida, foi abatido por um desânimo enorme já no domingo à noite, só de lembrar que segunda-feira teria que ir trabalhar? Se você passa por isso, saiba que a situação tende a piorar. Mas calma, não precisa fugir para as montanhas.

O número de profissionais que procuram apoio para definir os rumos que deve dar na carreira é crescente, e isso acontece em razão de um sentimento de frustração profissional. De acordo com uma pesquisa da Intentus Consultoria, empresa especializada em desenvolvimento humano e liderança, o número é alarmante: 71% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. “Consultamos outras fontes recentes, no Brasil e no exterior, e todas falam de insatisfação profissional em torno de 80 a 85% na faixa etária dos 30 anos, como na pesquisa realizada pela Giacometti Comunicação”, afirma Lilian Sanches, coach e especialista em carreira da Intentus.

Segundo Lilian, desânimo, falta de vontade de ir ao trabalho, desmotivação e o desconforto no final do domingo são os primeiros sinais desse mal. “Doenças psicológicas e fisiológicas causadas pelo estresse e pelo desgaste emocional são cada vez mais comuns e começam a acender alertas nas empresas e nos funcionários de que algo não vai bem nesta relação”, comenta.

Um dos principais fatos que levam à frustração profissional, de acordo com a especialista, é o fato de as pessoas nunca parem para pensar no que as serve. “Seguimos a vida correndo atrás de modelos de sucesso pré-estabelecidos. Testamos e seguimos um modelo para a felicidade (faculdade – inglês – pós / MBA – um bom cargo / salário – um carro bonito), mas muitas vezes ele não funciona”, analisa a especialista. “E então, vem a frustração profissional”, completa.

Muitas vezes, a escolha da carreira já é feita de maneira equivocada. Essa escolha costuma ser feita muito cedo e são levados em consideração fatores como: a opinião e espelhamento nos familiares; primeiras experiências profissionais ou estudo, o que faz desenvolver algumas aptidões; e escolher profissões promissoras para o momento. Segundo Lilian, seguir esse modelo padrão não está errado, mas é preciso parar e pensar: é isso mesmo que eu quero? O preço a ser pago por cada conquista, vale a pena?

“Geralmente, não nos questionamos, não avaliamos, e o tempo passa. A vida passa. E tem cada vez mais gente infeliz”, diz Lilian. O que complica ainda mais, é que no meio deste cenário caótico, é fácil encontrar programas e histórias que não cabem na vida da maioria das pessoas, como por exemplo: largue tudo e trabalhe viajando, curtindo a vida; faça apenas o que você ama; seja um empreendedor e trabalhe menos e ganhe mais; vá trabalhar na profissão do momento, fique rico e feliz.

Para Lilian, essas máximas da felicidade servem para algumas pessoas, no entanto, para a outra parcela da humanidade encontrar a felicidade e satisfação no trabalho, vai um pouco além. “Significa continuar trabalhando e tentar ajustar o máximo que pode, o que inclui fazer um planejamento financeiro para assim ter garantias de que poderá pagar as contas no final do mês ou sobreviver um período sem receitas, antes de tentar algo novo”, analisa.

O sonho da careira corporativa existe e tudo que vem junto a ela: salário, benefícios, cargo, posição, status e muito mais. “Antes de sairmos por ai seguindo novamente modelos de sucesso, precisamos entender o que nos cabe, quais as nossas necessidades, preferências e potencialidades, para então iniciarmos qualquer planejamento e transição”, finaliza Lilian.

A especialista listou 6 questionamentos sobre carreira que tem que ser respondidos:

 

  1. Faço o que gosto e sei fazer bem o que faço na maior parte do dia?
  2. Se eu trabalhasse em outra empresa, na mesma área, estaria mais motivado?
  3. Gosto da minha profissão ou apenas de algumas tarefas dela?
  4. Como posso fazer uma transição de carreira, de área, de segmento ou profissão?
  5. Quais resultados quero e como faço para conquistá-los: crescimento, salário, reconhecimento, qualidade de vida?
  6. Qual seria meu plano B, C, D… se o plano A não der certo?

 

Seja qual for a mudança, por mais difícil que seja, talvez não possa ser conquistada em seis meses. Mas pode ser em dois ou seis anos. É preciso começar, e o mais importante, na direção certa.