A liderança criativa: um workshop para fazer pensar fora da caixa

Consumidor Moderno Experience Summit inspira e provoca executivos ao demonstrar os conceitos da liderança criativa para nossos dias

Por: - 3 anos atrás

Jacques Meir

Berlim, Alemanha – “Um esportista não é líder. Fernando Henrique Cardoso nunca foi, não é e não será um líder. O mundo está passando por uma fase crítica. Mais do que nunca precisamos de lideranças”. De forma enfática, Roberto Meir, CEO do Grupo Padrão, deu as boas-vindas ao grupo de executivos que fazem parte da delegação do Consumidor Moderno Experience Summit.

Este ano, o evento acontece em Berlim, capital da Alemanha e cidade-símbolo de uma série de transformações que emolduram diversas ideias, ideologias e visões de mundo, arte, cultura, comportamento, economia nos séculos XX e XXI. A cidade representa o triunfo da unificação e da capacidade de reinvenção de uma sociedade a partir de traumas que deixaram cicatrizes profundas no inconsciente coletivo.

O Workshop da edição 2016 teve como tema: “Liderança criativa: o caminho da inovação para acompanhar a evolução dos consumidores” e é conduzido pela Berlin School of Creative Leadership, uma das mais respeitadas instituições mundiais de formação e capacitação de lideranças.

 

Fotos de Jacques Meir

Stuart Hardy, Head da Berlin School introduziu os trabalhos destacando o propósito da escola em ser provocativa, em prover insights que façam as lideranças presentes no Summit em ter habilidades para enfrentar os desafios enormes presentes na realidade brasileira atual.

Tanto ele como seu parceiro de workshop, Mark Janschen, têm histórias paralelas – aventureiros, profissionais voltados para atividades como alpinismo, surfe e as atividades, digamos mais convencionais, voltadas para a realidade corporativa. Mark também serviu ao exército, acompanhando e monitorando eleições em países conflagrados. O traço comum é justamente a diversidade de experiências, que os ajuda a ter perspectivas diferentes diante das situações.

A importância do contexto

“Como orientar o nosso trabalho mais efetivamente como líderes? Queremos colocar as peças do quebra-cabeças que significa a liderança na mesa”. Stuart diz que a maior parte das pessoas têm dificuldades em colocar as pessoas certas no lugar certo. O que significa a experiência da liderança. Quais os requisitos de um líder. Você pode ser líder em diversas atividades, treinadores, militares, executivos.

 

Como orquestrar essa constelação de variáveis de modo eficiente? Acionistas, pessoas, problemas de toda ordem, a situação brasileira, prazos, são vários os elementos que impactam a visão da liderança.  O que modela nosso negócio e nossa vida pessoal? O ambiente cultural e mais. Há desafios específicos no. Brasil. é por isso, precisamos entender qual é o contexto de viver em um país como o Brasil.

Análise PEST

Fatores Políticos, Econômicos, Sócio-culturais e Tecnológicos. Quais são os fatores que modelam nossa maneira de liderar? Stuart pediu aos participantes, organizados em grupos, que elencassem os fatores que impactam a liderança em cada um desses quadrantes. E o resultado foi exemplar: cada grupo reagiu e fez a atividade de forma diferente – mesmas regras, comportamentos diferentes. E isso diz muito sobre a forma com que lideramos.

 

CM Summit

Quais são as demandas do papel da liderança nos dias de hoje? Essa é metodologia da Berlin School of Creative Leadership. Provocando, questionando e inquietando constantemente. “Não é necessário encarar um cotidiano regular, eventualmente, cada um de nós pode ser um líder ou assumir um papel de liderança”, destaca Mark Janschen, da Berlin School. “Em um ambiente como este, temos 100 lideranças e mais de 10 maneiras diferentes de executar a mesma tarefa.”

O que é liderança criativa?

O que é liderança criativa? O fato é que ela não é natural. Ela nos incomoda porque sempre buscamos atuar dentro de padrões, de formas que nos são familiares. Gostamos de operar sempre de forma previsível e muitas vezes nos deixamos levar pelo ego e pelo sentido de auto-preservação, além de sempre procurarmos culpados quando algo não funciona. A liderança criativa, ao contrário, sabe que ser criativo é uma necessidade. Imaginem uma empresa como a Pixar, que levou 20 anos para levar seu primeiro produto ao mercado. 20 anos! Qual liderança estaria disposta a esperar tanto para ir ao mercado?

Por outro lado, é importante ponderar sobre o que significa gerenciar o tempo diante da onda irracional de informação. Quantos dados nos atingem ou consumimos diariamente? A inflação de informação é tamanha que é cada vez mais difícil prestar atenção ao que as pessoas nos dizem no dia a dia. A quantidade de informação consumida não é natural, mas…é real! É importante ver como a densidade da informação produzida evoluiu ao longo dos séculos. Por exemplo, nos primeiros 13 séculos da era moderna, não tínhamos livros, a transmissão da informação era oral e limitada. De repente, houve um grande incremento e aceleração na produção de informação no final do século XIX e agora no princípio do século XXI somos expostos à tantas e múltiplas fontes de informação em níveis para os quais o cérebro humano não foi desenhado ou equipado.

Nessa nova era, nada é mais relevante do que criar significados. É a a única forma de fazer o cérebro reagir diante da overdose de informação. Se não tem significado, não existe.

Incerteza, mudança e adaptação 

“Quanto mais a sociedade muda, mais precisamos de liderança criativa. Por que as pessoas querem ser lideradas por alguém como você?” Uma provocação importante e decisiva, que mexeu com todos os participantes do workshop. E os profissionais da Berlin School foram adiante na provocação, inclusive comentando uma observação de Roberto Meir, CEO do Grupo Padrão: “É importante diferenciar a liderança de quem é influenciador. Há uma tendência na internet de criar websites dedicados a divulgar toda sorte de tolices. A palavra-chave é relevância duradoura e perene e não ser a próxima paleta mexicana”.

 

Summit_1.3

Tudo está mudando. A única certeza é a incerteza. O líder que ajuda as pessoas, não o faz pelas pessoas, faz por si mesmo. Faz porque se sente melhor.  “Crises e mudança pedem liderança. Paz e condução pedem gestão. E agora temos de liderar pessoas que não estão interessadas em em ganhar dinheiro para comprar coisas que não precisam para impressionam pessoas de que não gostam. O nosso sistema de organização transacional está implodindo.” Mark Janschen encerrou a primeira parte do workshop com este insight.

Em tempos de incerteza e mudança, essa reflexão tem muito poder. Como ser líder em uma época na qual os valores são instáveis e as certezas cada vez mais fluidas? Algumas respostas nos próximos artigos dessa cobertura.

Jacques Meir é diretor de conhecimento e plataforma de conteúdo do Grupo Padrão