Potsdam: uma paisagem de rara beleza que estimula corações e mentes

Primeira atividade do Consumidor Moderno Experience Summit leva participantes a uma reflexão sobre a história da Alemanha, e a forma pela qual ela impactou nossa maneira de pensar, agir e liderar

Por: - 3 anos atrás

Jacques Meir

Berlim, Alemanha – O Consumidor Moderno Experience Summit é uma oportunidade de fazer executivos atuarem em colaboração e incorporarem diversos novos insights, que podem orientar sua tomada de decisões ano após ano.

A edição 2016 começou com uma vista a Potsdam. A pequena cidade, a pouco mais de 20 km de Berlim, é quase totalmente reconhecida como patrimônio histórico da humanidade. Sua beleza é extasiante. Praças repletas de árvores e vegetação em luminosos tons de amarelo, banhadas por raios de sol tênues que suavemente abrem novas texturas e surpreendem o olhar. Um cenário que torna a mais simples caminhada um exercício de impressão sensorial incessante. Potsdam foi concebida pelo imperador Frederico II da Prússia, amante da mitologia greco-romana e incentivador das artes e da cultura. Os palácios da região hoje sediam a Universidade de Potsdam. Não deixa de ser curioso que o local onde a nobreza dedicava-se às reuniões e saraus, ou ao ócio desmesurado hoje representa um local de reflexão, formação e produção de ideias e conhecimento.

Fotos de Jacques Meir

Fotos de Jacques Meir

Potsdam também conhecida como o local que recebeu os líderes aliados, Churchill, Stalin, Roosvelt e Truman, nos extertores da II Guerra, para as decisões que modelaram o mundo naqueles dias conflagrados. Logo após a Guerra, no entanto, Potsdam foi incorporada à então recém-criada Alemanha Oriental, sob influência soviética. Após a queda do muro, Potsdam foi reincorporada pela Alemanha unificada e então um intenso trabalho de recuperação foi iniciado. Hoje a cidade representa um inigualável ambiente educativo e uma demonstração de como integrar natureza e humanidade em harmonia.

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Cicatrizes abertas

Apesar da beleza intensa, Potsdam deixa abertas as cicatrizes da Guerra Fria. Um dos acessos à cidade é a chamada “Ponte dos Espiões”, também nome do filme recente de Steven Spielberg, com Tom Hanks. A ponte era o local preferencial onde espiões e prisioneiros eram trocados pelas potências – EUA e URSS – após longas negociações.

Após o passeio pela cidade, o grupo retornou a Berlim para visitar o Memorial do Muro da Vergonha. O famoso Muro de Berlim que encapsulava Berlim Ocidental e sua orientação capitalista e democrática no meio da Alemanha Oriental, comunista e opressiva. Uma situação bizarra, onde os cidadãos livres ficavam confinados em uma cidade delimitada por barreiras por um lado e o muro, de outro, enquanto os cidadãos em volta não tinham liberdade de deslocamento, pensamento ou escolha.

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Ver os restos do muro, as marcas e cicatrizes que ainda persistem no “lado oriental” e o processo de reconstrução da alma alemã, ferida pela Guerra Fria é impressionante. Refletir sobre a história e o que ideologias e incapacidade de negociar podem fazer às pessoas comuns é sempre desconfortável. Custa crer que ainda hoje, após centenas de pessoas terem sido assassinadas ao tentarem atravessar um muro, existam pessoas defendendo soluções dessa natureza como forma de garantir “segurança”.

 

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A contemplação e o contraste da beleza de Potsdam e da iniquidade e irracionalidade verificadas no Muro de Berlim, foram uma boa base para que os participantes do CM Summit pudessem estar preparados para os dois dias de intensos questionamentos que fazem parte do Workshop de liderança criativa, tema do evento deste ano.

 

Jacques Meir é diretor de conhecimento e plataformas de conteúdo do Grupo Padrão