A internet mudou. Seja bem-vindo a Botnet

A internet que você conhece vai mudar. E você nem imagina o quanto. Confira e surpreenda-se

Por: - 3 anos atrás

Jacques Meir

Os bots, diminutivo de “robots” são a nova tecnologia a mexer com a ansiedade das pessoas e das empresas. As perguntas são as mais diversas: vão substituir os apps? Vão roubar os nossos empregos? O que está por trás dessa onda? Talvez os bots representem a aura de uma nova era onde tecnologias disruptivas irão surgir em velocidade poucas vezes vista na história humana. O SXSW colocou essas questões em discussão em um painel extremamente inquietante.Dharmesh Shah, Chief Tech Officer e co-fundador da Hubspot fez uma apresentação na qual explorou de que modo a ascensão dos bots representa uma possibilidade de expressivos ganhos de produtividade e crescimento para as empresas. E mais. 

A palestra “Como os bots B2B vão ajudar empresas e carreiras” também mostrou as lições que Dharmesh aprendeu no desenvolvimento do GrowthBot, um dos 10 mecanismos mais bem avaliados na plataforma Slack.

“Os bots estão em todo lugar”, diz Dharmesh. “Nem eu aguento mais ouvir falar disso”, ironizou o especialista, com muito bom humor. No princípio da internet houve o click. Depois veio o smartphone e, com ele, o toque e o deslizar. E agora vemos o chatbot. E chatbots tem tudo a ver com conversação. Ele veio combater a dificuldade dos softwares em serem intuitivos. Softwares são, por natureza, contra-intuitivos.

Os bons apps envolvem limitações. Bots envolvem a conversação. Isso porque a evolução da Inteligência Artificial (IA) permitiu uma conquista realmente incrível: o reconhecimento da linguagem natural. E essa é a base dos bots: reconhecer a linguagem natural e oferecer respostas inteligíveis para as pessoas.

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Foi de 5 anos para cá que transmitir mensagens tornou-se absolutamente natural para as pessoas. O volume de textos digitados cresce exponencialmente e o envio de mensagens irá crescer muito mais. O passo seguinte após o crescimento exponencial do uso de mensagens foi a criação de ferramentas de produtividade e gestão muito simples, todas elas baseadas em textos – Slack, Trello, etc. a lógica de construção dessas ferramentas partiu justamente da compreensão do texto digitado pelos sistemas de IA.

A Hubspot, empresa de Dharmesh criou então o GrowthBot, o assistente pessoal de marketing. A ideia era fazer deste bot um mecanismo de resposta e elaboração tática de campanhas. “Eu faria uma pergunta sobre a previsão de volume de retorno em uma campanha com base nos resultados passados e o bot me traria uma resposta imediata”. Mas as possibilidades foram ampliadas de modo acelerado. Queria responder perguntas como: qual é o seu preço? Qual é sua política de reembolso? Sua localização? Questões básicas para direcionar as campanhas de qualquer e-commerce. E então, Dharmesh percebeu que poderia ir mais longe.

“Agora é tempo de pensar os em bots. Ele é o caminho mais curto entre um cliente e uma resposta precisa”, defendeu o CTO. Essa é uma disrupção de potencial incalculável: fornecer a resposta precisa, sem vieses ou emoções. 

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Dharmesh então listou características de um bot atendendo ao cliente: não sentem amor, mas tampouco exibem apatia diante do cliente e, principalmente, bots eliminam os pontos de fricção a praticamente zero. Com essas qualidades, e com a evolução incessante, será que os bots irão eliminar empregos? Pode ser, mas segundo o palestrante não se trata, contudo, de uma disputa entre humanos e bots, mas sim de considerar que um humano potencializado por  um bot tem mais poder e capacidade que um humano comum. 

“A Inteligência Artificial evolui extraordinariamente. As máquinas que aprendem são agora uma realidade. Os limites para esta evolução não são os algoritmos, mas os dados, a gestão de ondas avassaladoras de dados gerados continuamente”, afirmou Dharmesh. Para concluir, o executivo fez uma provocação inquietante: “Estamos saindo da era da internet para a era da ‘botnet’, a rede controlada e trabalhada pelos bots”. 

Você está preparado? 

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*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão.