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O SXSW mostra os limites impensáveis da criação de hologramas de Realidade Virtual e Aumentada. Isso pode ser, literalmente, apaixonante

Por: - 2 anos atrás

Jacques Meir

As imagens holográficas estão a serviço de marcas como L’Oréal, Time e Sony Pictures. Elas são usadas para contar histórias diferentes, levar pessoas a vivenciarem situações reais, mas viviam distantes do cotidiano urbano e permitem às empresas ampliarem o seu relacionamento com clientes. A adaptação dos consumidores, particularmente em mercados emergentes, não parece veloz para as linguagens das Realidades Virtual e Aumentada, salvo o furor recente causado pelo Pokemón Go. Ainda assim, é nítido observar uma movimentação intensa de marcas de diferentes indústrias buscando criar histórias nessas linguagens para atingir audiências inteiramente novas.

De entretenimento puro e simples para educação, varejo, moda e beleza, o futuro dos negócios será impactado em que medida pela nova realidade digital? Essa foi a pergunta que norteou o painel – “Hologramas e o futuro do estilo de vida baseado em RA e RV” – no SXSW 2017. O painel procurou discutir como os consumidores on-line e off line irão alterar seu comportamento e sua interação como a linguagem holográfica.

O debate teve a participação de Linc Gasking, co-fundador da 8i, empresa desenvolvedora de conteúdos em Realidade Aumentada, Mia Tramz, Gerente editorial da Life VR, companhia de iniciativas de conteúdo baseado em Realidade Virtual da Time, Rachel Weiss, líder da área de negócios, investimentos e parcerias digitais da L’Oréal e Scot Barbour, head da área de produção tecnológica em 4K, HDR, HFR e VR da Sony Pictures. Profissionais completamente envolvidos no desenvolvimento de conteúdos e ideias baseadas nas possibilidades das Realidades Virtual e Aumentada.

A realidade virtual cuida dos cabelos

Rachel Weiss começou a discussão dizendo que seu trabalho é curioso, na medida em que ela deve desenvolver conteúdos de RA ou RV para cabelos. Ou seja, criar experiências intensas que ajudem mulheres a compreenderem melhor como cuidar de seus cabelos. Segundo Gaskin, cuidar dos cabelos faz parte total da experiência de RA e RV, por que a linguagem é adequada para educar e criar conexōes emocionais. E mulheres são muito apegadas ao seu cabelo.

Para Scot Barbour, todos os profissionais que trabalham com RA e Rv estão aprendendo. Tudo é muito novo para eles. “Na perspectiva cinemática, da produção de cinema, estamos tentando pensar em como utilizar melhor essa linguagem, combinando a Realidade Virtual e a Aumentada para melhorar a experiência”. Gasking toca em um ponto importante: a distribuição das produções de RA e RV. Ela terá como veículo o celular? Como partir da perspectiva da educação e do entretenimento para um novo estágio de produção de conteúdo e de comunicação? Ainda estamos compreendendo como tornar o holograma mais útil como linguagem comum.

Segundo Barbour as possibilidades de uso estão em testes e colocadas em uso muito rapidamente. Weiss diz que está muito motivada e ansiosa para ver o novo passo da RA, quando será uma exigência do consumidor em busca de experiências. Ela disse que a procura pelo assunto aumentou demais em um ano.

Óculos ou celular?

Weiss diz que o uso dessas novas linguagens nas lojas tem função educacional e obriga a empresa a desenvolver formas de avaliar como a RV trabalha e se converte em vendas. 

E qual será o veículo dominante para uso da RA: HoloLens, Oculos do FB ou o celular acoplado a um cardboard? Para Gaskin, não serão os óculos que vencerão essa corrida, um hardware, ou dispositivos apropriados para Realidade virtual , mas sim o celular, prático e simples. O mecanismo que todo mundo leva no bolso.

Criatividade e estratégia podem e devem ser usados para criar conteúdos e experiências que gerem vendas. Rachel Weiss diz que a função da RA para um produto, a partir do conteúdo produzido, é gerar vendas. Ponto. 

Experiências e emoções humanas

Mia Tramz pediu aos participantes do painel que contassem experiências incríveis em RA eRV. Gasking foi muito enfático ao comentar que os games conseguiram gerar um grande conteúdo com muito engajamento. Barbour completou afirmando que música também é bastante apreciada na porta de conteúdos com essas linguagens.  

Scot diz que os melhores usos dependem sim de uma boa história. A RA e RV são instrumentos que permitem contar boas histórias. “Como você consegue contar uma história envolvente, em um formato diferente?” questiona. Gasking diz que o desenvolvimento de um homem real, em computar custa milhões de dólares e esse investimento não pode ser utilizado em histórias ruins.

Outra questão relevante, como reagir e qual a próxima etapa de desenvolvimento do holograma? Será criá-los de modo tão real que não saberemos distinguir real e,digital? Gaskin concorda. Diz que a próxima etapa será a criação de momento em que os olhares se encontram, basicamente quando uma pessoa real encara um holograma e ele corresponde ao seu sentimento sem que você perceba estar lidando com uma image.” Claro, estamos trabalhando para que eles possam ser entrevistados nos late shows (talk shows noturnos)”, ironizou o palestrante. Weiss diz que neurocientistas estão envolvidos nos projetos de VR justamente para criar essas conexōes mais humanas com hologramas.

No SXW há muita oferta de experiência em RA e RV. Inclusive uma sala dedicada inteiramente a storytelling baseado em RV. Em comparação com o ano anterior, o tráfego e a variedade de conteúdos se multiplicaram dramaticamente. Em linhas gerais, a ideia básica é que podemos pensar em interagir com hologramas e robôs e sistemas de Inteligência Artificial em algum ponto de futuro. Um estilo de vida baseado em seres digitais pode estar em gestação. Impossível imaginar os limites dessa explosão de criatividade e possibilidades.

*Jacques Meir é Diretor Executivo de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão.