A inovação no DNA das fintechs

O setor financeiro encontrou nos últimos anos o seu “Uber”: o Recover Money deu as boas-vindas às fintechs

Por: - 2 anos atrás

Fellipe Cavalcanti

Embora evoluído, o setor financeiro também tem os seus “Ubers”. E essas empresas tecnológicas e disruptivas levam o nome de Financial Technology ou Fintech.

Elas estiveram presentes no painel do Recover Money “Fintechs e regulação: até que ponto as startups do setor financeiro podem se desenvolver no ambiente regulatório brasileiro?”. Em outras palavras, o futuro das relações financeiras esteve em jogo no painel.

Na abertura, Jacques Meir questionou os convidados se a inovação é algo íntimo e indissociável as fintechs. Marcelo Bradaschia, sócio-fundador Clay Innovation/ Fintechlab, analisou duas formas de inovação dentro desse universo. “Existem duas grandes vertentes. A inovação disruptiva é uma delas, mas há também aquela por ganho de eficiência. Essa é a opção escolhida entre empresas brasileiras. As fintechs criaram meios de pagamento, seguros, investimentos, empréstimos. Isso ocorre que porque temos um mercado muito concentrado em poucas instituições financeiras”, afirmou.

Outro aspecto decisivo para o surgimento das fintechs diz respeito a uma mudança de paradigma na oferta de crédito. Bradaschia afirma que as instituições financeiras se transformaram em um mercado que não cresceu pensando no usuário, mas pensando no negócio.

Sandro Reiss, founder and CEO Geru, acompanhou a opinião de Bradaschia e completou: “As instituições estavam acostumadas a um relacionamento que pareciam prestar um favor as pessoas. Hoje, o desenho da experiencia é feito a partir das dores do cliente”, afirmou.

Ricardo Kalichsztein, fundador e CEO do Bom para Crédito, concordou em parte com a opinião dos colegas sobre o papel da fintech. Segundo ele, a função dessas empresas é permitir o acesso ao crédito, mas também auxiliar grandes instituições financeiras. “O desafio das dores tem dois lados. Nasceu para levar eficiência e melhores condições para o tomador do crédito. Porém, a nossa proposta também oferecer melhores condições para credores, levando informação para baratear todo o processo de crédito para ele. Olhamos para os dois lados”, afirma.

Fintech pelo mundo

Em seguida, Meir questionou José Prado, fundador da Conexão Fintech, sobre o momento das fintechs no Brasil e no mundo. Afinal, qual o posicionamento do país no cenário mundial?

Segundo Prado, o maior polo de fintech não é o Vale do Silício, nos EUA, mas é a cidade de Londres. “Temos um polo interessante em Cingapura, mas o Brasil é o grande destaque na América Latina, inclusive elogiada em outros lugares do mundo”, afirma.

Jacques, então, quis saber um pouco mais sobre esses elogios direcionados as fintechs. De acordo com Marcelo, existem 244 fintechs mapeadas. Além disso, o ano de 2016 para o florescimento desse modelo de negócio. “2016 foi o ano chave para o nosso mercado. Tivemos um amadurecimento do nosso ecossistema com o surgimento de aceleradoras, fundos de investimentos, aparecimentos de aceleradoras, bancos e mentorias. Mas há outros desafios”, afirma.

Por outro lado, há desafios. Os palestrantes mencionaram os gargalos na educação de novos empreendedores e no acesso à informação. Nesse sentido, Jacques destacou o desafio de apoiar o surgimento de novas empresas. “Precisamos apoiar o nascimento de empresas e não a perenidade de velhas empresas. Temos uma visão de coitadismo”, afirma.

Regulações

A regulação foi outro tema comentado pelos palestrantes. Mas, curiosamente, a tutela sobre o negócio da fintech foi um ponto positivamente destacado pelos palestrantes.

Prado, da Conexão Fintech, afirma que as fintechs são submetidas a três órgãos reguladores: a Susep (Superintendência de Seguros Privados), a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e o Banco Central. “O Banco Central predisposto a olhar isso com bons olhos. Eles promoveram encontros sobre a tecnologia. Isso gera chance para a competitividade”, afirma.

A mesma opinião tem Bradaschia. “A regulação não é ruim. Em 2010, tivemos a possibilidade de abertura e fechamento de contas digitais. A regulação previa isso antes mesmo do surgimento desses negócios”, afirma.

No entanto, mesmo em um cenário favorável de regulação, o setor ainda tem os seus desafios. Reiss, da Geru, falou da efetiva existência pouco efetiva do cadastro positivo, uma legislação aprovada em São Paulo há poucos anos. E o que isso tem a ver com a fintech? “Como não há cadastro positivo, a autenticação, verificação de crédito, temos a necessidade de criar modelos. Em outras palavras, a nossa curva de aprendizado é sobre a base de clientes que temos”, afirma.

Ao fim da palestra, Prado ainda destacou ainda outras dificuldades, algumas delas da cultura corporativa. “O que mais me incomoda é o alto custo de instituições financeiras. Temos que pensar em como simplificar não apenas o empreendedorismo, mas o acesso da fintech para dentro dessas empresas. Isso vai gerar redução de custos”, afirma.