Cresce número de CEOs afastados por desvios éticos

Estudo da consultoria Strategy& analisou trocas de comandos nas 2,5 mil maiores empresas do mundo, mas o resultado é mais animador do que parece. Entenda

Grupo Padrão/ divulgação

Parece que estamos em uma época em que lutar pela ética está cada vez mais em evidência. No Brasil, a crise política tem levado milhares de brasileiros às ruas para lutar pelo fim da corrupção. Também nas empresas essa busca por práticas mais honestas está crescendo – e não só por aqui. Pelo menos é a conclusão a que chegaram os especialistas da Strategy&, consultoria estratégica do Network PwC.
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A empresa divulgou os resultados da pesquisa CEO Success Study, que mostram que o número de CEOs que deixaram seus cargos devido a desvios éticos nas empresas aumentou 36% em todo o mundo nos últimos cinco anos. A troca de CEO envolvendo questões éticas passou de 3,9% do total de substituições entre 2007 e 2011 para 5,3% de 2012 a 2016, em grande parte devido ao maior controle, cobrança e responsabilização dos executivos pela sociedade.

Boa notícia?

Em uma primeira análise, este dado poderia parecer alarmante: será que estamos ficando mais desonestos? No entanto, a conclusão a que chegam os especialistas da Strategy pode indicar até o contrário.
“O aumento no número de CEOs afastados por questões éticas mostra uma tendência crescente entre as empresas de combater práticas que causem danos à sociedade e aos negócios. Empresas em todo o mundo estão reforçando suas práticas de governança e priorizando mercados onde os riscos são menores”, afirmou em nota Ivan de Souza, sócio da Strategy&.
A pesquisa conclui, também, que desde a crise financeira de 2007, nos Estados Unidos, causada pelo abuso na concessão de créditos imobiliários, há menos tolerância em relação a má conduta empresarial. Outro fator importante está ligado à conectividade: o uso do e-mail e das redes sociais também contribui para aumentar a vigilância em relação a desvios éticos, já que essas ferramentas podem servir como provas irrefutáveis de má conduta. Além disso, a facilidade de comunicação faz com que notícias e informações sobre escândalos e acusações de corrupção sejam divulgadas e replicadas de forma cada vez mais rápida.

Brasil

O Brasil faz parte do grupo que registrou o aumento mais expressivo: nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o número de CEOs afastados por conta de más condutas cresceu 141%. Nos EUA e Canadá, o crescimento foi de 102% e nos países da Europa Ocidental, 41%. A maioria das trocas de comando, porém, é planejada: mais de 80% nos BRICs e EUA/Canadá e pouco menos de 70% na Europa Ocidental.
O levantamento da Strategy& também revela que o número total de CEOs que deixaram seus cargos em 2016 diminuiu em relação a 2015. Entre as 2.500 companhias analisadas, 14,9% trocaram suas lideranças no ano passado, contra 16,6% em 2015. Essa queda deve-se principalmente à redução de fusões e aquisições em 2016. Os BRICs (excluindo a China) tiveram novamente o maior percentual de trocas, 17,2%, seguidos por Japão (15,5%), países da Europa Ocidental (15,3%) e EUA/Canadá (14,2%).






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