Será que as agências bancárias vão desaparecer?

Em entrevista à Consumidor Moderno, Gustavo Fosse, diretor de tecnologia da FEBRABAN, comenta as perspectivas para o setor.

banco agência

Em tempos de recessão econômica e com a explosão de novas tecnologias, a experiência do usuário entra no centro das discussões das instituições financeiras que acompanham, de perto, o avanço das fintechs. As tendências do mercado financeiro estão sendo discutidas até quinta-feira (8) no Ciab FEBRABAN 2017, em São Paulo. Em entrevista à Consumidor Moderno, Gustavo Fosse, diretor de tecnologia da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) comenta os principais rumos do setor. Confira:

Qual é a principal tendência tecnológica para o serviço financeiro?

Sem dúvida o blockchain é uma tecnologia poderosíssima. A FEBRABAN tem estudado essa tecnologia internamente e incentivado os bancos a fazerem o mesmo. Existem várias formas de usar essa tecnologia tanto internamente (nos bancos) quanto externamente (nos sistemas). A Inteligência Cognitiva é outra tecnologia essencial para os bancos. A modernização dos sistemas de segurança e de pagamento também são tendências que acompanhamos de perto.

Quando os bancos brasileiros devem começar a usar blockchain?

Essa tecnologia é uma tendência muito forte para o futuro porque é totalmente disruptiva, mas ela ainda precisa passar por uma fase de amadurecimento para poder se aplicada em um banco. É claro que se usado internamente em uma empresa, o blockchain já terá um grande impacto, mas o principal valor da tecnologia será aplicá-la no sistema externo, com os clientes. Para o sistema financeiro do Brasil, que movimenta um volume de negócios muito grande, a implementação não pode ser feita sem que a tecnologia já esteja o suficientemente madura.

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Como o senhor descreve o grau de maturidade da transformação digital dos bancos brasileiros?

Eu acredito que o nosso sistema financeiro já é digital. O fato de determinado banco ou outro dizer que é digital é mais uma estratégia de marketing. Em um País que realizou no ano passado 34% das transações por dispositivos móveis, é a prova de que a digitalização já existe e que as pessoas já estão adaptadas a ela.

Como prevê o futuro das agências físicas?

Haverá um reposicionamento estratégico. As agências devem se transformar em uma espécie de centros de negociação e/ou de negociação financeira. Os clientes irão a esses locais para receber consultoria de investimento mais personalizada, encontrar humanos qualificados e que possam tirar dúvidas ou sugerir opções que um computador não poderá fazer ou que o cliente não confiará.

Quando os bancos vão adotar meios de pagamento por gadgets, como relógios inteligentes?

Alguns bancos já oferecem facilidades de pagamento por meio de celulares e pulseiras. Mas isso depende muito da estratégia de cada negócio. O que posso dizer é que a tecnologia já está disponível no Brasil.




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