Fintech quer resgatar o hábito de usar cheques, mas pelo celular

A startup catarinense SD Bank vai lançar um cheque digital. A meta é abocanhar parte do mercado bilionário que as folhas de papel ainda movimentam no Brasil

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Há pouco menos de vinte anos, o ritual de assinar folhas de cheque na hora de pagar as compras no supermercado ou acertar a conta no restaurante era comum. A prática vem rapidamente sendo substituída pelos cartões, mas uma startup quer voltar com a cultura do cheque. A fintech catarinense SD Bank se prepara para lançar, no mês que vem, um cheque digital.

“Ainda há um grande mercado em cheques no Brasil e queremos facilitar a vida das pessoas que trabalham com esse meio de pagamento”, diz Adriano Silveira, CEO da SD Bank.

A ideia de Silveira é trazer o mundo das folhas de papel para os smartphones. Consequentemente, mais segurança para o meio de pagamento, ainda muito utilizado por empresas para pagamento de fornecedores e até mesmo funcionários, especialmente as companhias de médio e pequeno porte.

O aplicativo, segundo ele, permitirá utilizar todos os benefícios do cheque.

Um exemplo é a escolha da data de pagamento. Nos cartões de crédito convencionais, por exemplo, os usuários ficam limitados aos dias pré-determinados pelas operadoras de cartões e bancos. “Com o cheque digital, os empresários terão uma opção de criar uma espécie de crediário”, diz Silveira.

Como vai funcionar

De acordo com o CEO da startup, o aplicativo terá duas fases. Na primeira, funcionará como um serviço pré-pago. O cliente vai registrar o seu CPF ou CNPJ e a SD Bank fará uma análise de crédito. Depois, liberará a utilização das “folhas de cheque” virtuais.

Ao encontrar um fornecedor ou empresa que aceite o meio de pagamento, o comprador poderá negociar prazos e parcelas, sem limitações para a quantidade de parcelas ou o valor delas, como ocorrem com os cartões de créditos. Mais: não há limite de crédito e nem de cheques.

Na hora do pagamento, o usuário receberá um boleto bancário no valor do cheque. Caso não haja o pagamento, o nome dele pode parar no SPC/Serasa. “Na primeira fase do projeto, a startup não assumirá o risco de um possível calote”, diz Silveira.

A empresa cobrará uma taxa fixa de 25 reais dos estabelecimentos participantes, mas que poderá ser isenta se chegarem a um número de 20 transações em um mês.

Futuramente, na segunda fase, a SD Bank planeja assumir parte do risco. Ou seja, caso identifique um usuário com possibilidade de calote, a empresa participante pode passar o problema para a fintech ao pagar uma taxa, ainda sem percentual definido. “Queremos dar um benefício diferente dos bancos, que não assumem nada de risco”, diz Silveira.

Mercado bilionário, mas em queda

De fato, há um mercado bilionário envolvendo cheques. O meio de pagamento movimentou 848 bilhões de reais no ano passado, segundo dados do Banco Central. De janeiro a março de 2017, foram 213 bilhões de reais, redução de 13% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Porém, números da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) também mostram que esse meio de pagamento despencou nas últimas décadas. Atualmente, a quantidade de cheques compensados pelos principais bancos do Brasil corresponde a menos de 20% do montante de 1995.

“Os números mostram que o cliente bancário tem acompanhado a evolução tecnológica dos meios de pagamento digitais no Brasil”, diz Walter de Faria, diretor-adjunto de Operações da FEBRABAN.

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