O espaço de “coworking” da indústria de alimentos e bebidas

A Tetra Pak, empresa sueca conhecida pelas embalagens longa vida, abriu as portas do seu Centro de Inovação ao Cliente. Conheça o lugar

Tetra Pak

É cada vez mais comum a presença dos coloridos e divertidos espaços de coworkings nos grandes centros urbanos, como é o caso de São Paulo. Na prática, esses lugares se transformaram em espaços de inovação e que abrigam (e incubam) diversas startups, auxiliando-as a focar no que realmente importa: criar.

No entanto, muitos desses espaços destinam-se a abrigar novas ideias para serviços, a maioria deles smartphones. Mas e quanto a outros setores da economia? Agora, chegou a vez da indústria de alimentos e bebidas brasileiro ter um espaço de cocriação.

A Tetra Pak, empresa sueca conhecida por suas embalagens de alimentos, inaugurou o seu primeiro Centro de Inovação ao Cliente (CIC), localizado na cidade de Monte Mor, no Interior Paulista. O objetivo desse espaço é justamente oferecer uma ampla infraestrutura de cocriação e suporte à indústria de alimentos e bebidas para o desenvolvimento de novos produtos.

A unidade de Monte Mor, que teve um custo de R$ 40 milhões, soma-se as outras três espalhadas em outros cantos do mundo. Os demais CICs estão localizados nos Estados Unidos, Emirados Árabes e Singapura. A expectativa é contar com nove desses centros até 2019.

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Segundo palavras do presidente da companhia, Marcelo Queiroz, o centro de inovação brasileiro é a unidade mais moderna dentre os CICs da Tetra Pak. E o motivo para essa aposta milionária no Brasil? “O Brasil é o segundo maior mercado da Tetra Pak com mais de 11 bilhões de embalagens vendidas por ano. Esses números mais do que justificam a presença de uma unidade de inovação no Brasil. Mas, o que acontecia? Antes, quando um parceiro queria desenvolver um produto, tínhamos que levá-lo para uma unidade fora do país. Agora, o CIC está à disposição para o mercado brasileiro e sul americano”, afirma Queiroz.

Inovação por etapas

Mas e o que efetivamente é produzido nesse espaço? A Consumidor Moderno foi a Monte Mor e conheceu o centro de inovação da empresa. O CIC é dividido em duas macro áreas. Há um espaço destinado ao treinamento, consultoria e outros serviços da Tetra Pak. A outra destina-se justamente a inovação propriamente dita.

A primeira sala é a de produtos, local do vasto portfólio produzido pela empresa ao longo dos anos – sendo 60 anos somente no Brasil. “Ao todo, são 236 tipos de embalagens, o que incluem tampas e canudos. Considerando apenas os nossos produtos, é possível fazer mais de sete mil combinações. Agora, se incluirmos a tecnologia do nosso parceiro, podemos chegar a 21 mil combinações”, afirma Caroline Eckel, gerente de marketing de bebidas da empresa.

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É também na sala de produtos que os parceiros da Tetra Pak tem contato com o modelo de jornada de criação adotado pela empresa sueca. No modelo da empresa, existem cinco etapas: diagnóstico, descoberta, refinamento (o que é possível produzir dentro de uma série de fatores), prototipagem e, por fim, a ida do produto para a planta piloto.

Muitos desses processos acontecem dentro de outra área da unidade de criação da Tetra Pak. É na Sala de Ideias, um espaço com mesas instaladas no teto, que os clientes trocam ideias sobre o produto que desejam para o seu cliente final.

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Passado a etapa das ideias, o passo seguinte é a mão na massa. Isso ocorre dentro da chamada planta piloto, ou seja, o produto é feito no local (sim, é possível desenvolver alguns tipos de bebidas e alimentos no espaço) e submetê-lo a toda etapa industrial. Aliás, o espaço possui até mesmo uma autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção desses alimentos em demonstrações para clientes ou pequenas amostras.

Ao todo, são cinco máquinas, sendo: quatro para destinados ao processo industrial de preparo do alimento e uma apenas para o envasamento do produto. A propósito, essas máquinas podem ser usadas ou mesmo emprestadas para o setor industrial de alimentos. “Nós somos um grupo com diversos negócios. Um deles é a venda de máquinas para a indústria de alimentos”, explica Queiroz, da Tetra Pak.

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No fim, tem-se o produto final, produzido do início ao fim (e, claro, com a embalagem) dentro do CIC. O produto ainda pode ser submetido a testes de armazenagem, seja em câmara fria ou seca. Há outros testes inclusos dentro do espaço de inovação. “Aqui fazemos uma imersão de ponta a ponta. O cliente pode ficar conosco quatro dias ou uma semana. No fim, ele sairá com a bebida ou um alimento pronto e embalado. Com esse espaço, ele não precisa parar a linha de produção dele para testar um produto. É para isso que existe esse espaço de cocriação”, explica Eckel.

O pós-venda

A outra área do CIC é a área de pós venda e serviços da Tetra Pak. Entre outras finalidades, esse espaço destina-se ao treinamento do maquinário vendido pela empresa.

Além disso, há uma série de serviços ligados ao pós-venda da empresa. Um desses serviços permite o acompanhamento em tempo real das máquinas vendidas pela empresa e que produzem e embalam os alimentos e bebidas. Como?

A ideia lembra um pouca lógica do Google Analytics. Muitas máquinas possuem sensores (tais como o seu celular ou o seu computador), que enviam dados sobre o seu funcionamento (ou, no caso do smartphone, o rastreamento de acessos a determinados sites da internet) para uma sala de acompanhamento (a ferramenta de analytic do Google). Essas informações se transformam em gráficos inteligentes e que ajudam a empresa a prestar desde consultoria de negócio até a oferta de serviços, como é o caso do suporte técnico.

No caso do suporte, a Tetra Pak pode antecipar uma manutenção ou a substituição de uma peça, entre outros serviços.

Tetra Pak

O suporte técnico é um capítulo extra na companhia. A Tetra Pak recorreu a Microsoft e o seu vasto sortimento de soluções tecnológicas para adotar uma inovadora abordagem nesse tipo de prestação de serviço. Uma das estrelas dessa parceria é o Hololens, considerado o mais importante óculos de realidade aumentada da atualidade e que permite, entre outras coisas, conversar via Skype com uma pessoa usando apenas esse óculos. Esse gadget também vem sendo preparado para a indústria de game do futuro. Abaixo, o Hololens.

Microsoft

A Tetra Pak vai utilizar o aparelho no suporte remoto de maquinário vendidos aos parceiros. Para tanto, desenvolveu um software próprio que permite recriar bem diante dos olhos uma das máquinas. Essa imagem pode ser “manuseada” a partir do gadget, o que permite entender no ambiente virtual o funcionamento do equipamento vendido pela empresa.

“Recentemente, usamos o equipamento no suporte técnico de uma pessoa no Canadá. O uso desse equipamento será aprimorado de acordo com a necessidade da empresa e dos nossos clientes”, afirma Edison Kubo, diretor de desenvolvimento de negócios técnicos da Tetra Pak.

O que sairá do CIC ainda é um mistério, mas inovação é sempre bem-vindo em um país carente de novas ideias.

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